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INDÍGENAS ALAGOANOS SEGUEM LUTANDO PARA PRESERVAR TRADIÇÕES

Povos originários também reivindicam direitos garantidos pela Constituição, como a demarcação de suas terras

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Imagem ilustrativa da imagem INDÍGENAS ALAGOANOS SEGUEM LUTANDO PARA PRESERVAR TRADIÇÕES

Quando a cantora Baby do Brasil (ex-Consuelo) cantou que "todo dia era dia de índio", na década de 1980 a situação dos indígenas no país era de esperança e expectativa que fossem vistos e reconhecidos na Constituição. Quarenta e três anos depois a realidade é que temos às leis, mas são os que vivem fora dela que desmatam, exploram a terra, oprimem e lhes causam o apagamento. Quando não são cercados pelos grileiros e grandes latifúndios é o próprio estado brasileiro quem demora e favorece a dizimação dos povos, sua cultura e da perspetiva de futuro. Na Região Nordeste, conforme relato da historiadora e professora da disciplina de História Indígena na Ufal, o "massacre" iniciado com a colonização perdura com novas armas: a indiferença e desestrutura.

"Os povos indígenas do Nordeste, por terem sofrido o primeiro impacto da colonização, o processo de desintegração social e de miscigenação é mais antigo e, por isso, mais intenso. Dessa forma, recaem sobre eles ideias superficiais e preconceituosas de que não seriam mais indígenas por serem bastante diferentes daquele estereótipo que o senso comum ainda sustenta: seres da pele morena avermelhada, com cabelos lisos e pretos, que andam seminus na floresta e vivem da caça e da pesca", contextualiza a pesquisadora. Em meio à mistura e à proximidade geográfica com a cidade por causa do avanço da ocupação urbana que partiu para suas áreas os povos indígenas lutam para existir. Cada qual ao seu modo e com suas contradições têm no esforço diário a necessidade de manterem a cultura viva como símbolo de resistência. Respiram e convivem com as tradições orais herdada dos antepassados e reafirmando todos os dias que têm relação ancestral com a terra. "Muitos povos de Alagoas iniciaram seu processo de retomada da terra nas décadas de 1980 e 1990, muito recentemente. Diante desse contexto, é grande a dificuldade da sociedade em respeitá-los e reconhecê-los como povos originários e, consequentemente, seus direitos por sua condição étnica", detalhou Michelle.

SOBREVIVÊNCIA

A relação do País com sua própria identidade é sofrida e distanciada da realidade. Os indígenas das propagandas oficiais, das campanhas de publicidade em nada se assemelham com a vida real da maioria. É que a principal relação de vida, com a terra, tem sido vilipendiada de forma secular. Conforme explica o representante do povo indígena Marcelo de Campos, da Tribo Tingui Botó, eles vivem da dicotomia de preservar seu passado, mas sem falar sua língua materna Dzinbukuá nascida com os primeiros povos de que são remanescentes os Kariri. Hoje resumem-se a ocupar uma área de pouco mais de 500 hectares mesmo tendo registros de que estão na Região de Feira Grande há 150 anos. São pouco mais de 600 sobreviventes da cultura que sofrem para serem vistos como cidadãos de direitos numa luta permanente contra o atropelo da cultura branca, lamentavelmente, homologada por leis que privilegiam o opressor a partir do momento que existem para proteger mas não saem do papel. ,

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"A educação e saúde é um direito igual para todos nós seres humanos habitantes desse planeta, para nós os povos indígenas não é diferente, somos assistido pelo modelo social de educação e saúde presente no estado brasileiro. Na educação e saúde temos o direito pela Constituição de termos um sistema intercultural, diferenciado, que respeite as manifestações culturais e crenças de religiosidade, porém é uma realidade muito longe. Na comunidade temos uma Escola gerida pelas 5º Gerência Regional (estadual), com todo quadro gerido por indígenas, professores formados que se esforça o máximo para trazer uma educação intercultural horizontal, porém as qualidades ofertadas pelo estado são poucas", relata Marcelo. A luta pela formação é tão intensa quanto a da demarcação. Mas sem terra e com uma educação longe da ancestral o que há outra batalha desta vez contra a deformação. A força, porém, é desigual já que dos quase 8 milhões estimados que já habitaram as terras brasileiras, segundo o IBGE, apenas 2 milhões de indígenas de todas as tribos são reconhecidos pelo País.

"Cultura é herança de valores. O indígena não é medido nem avaliado segundo seu fenótipo. Ele é aquele que preserva sua cultura, respeita os territórios e suas narrativas, além de carregar com sigo o pertencimento ancestral que traz no seu espírito vivo. Para não perdemos o que é tão sagrado 'nossa cultura ', a celebramos até hoje, desde os primeiros homens, a cultura é um ensinamento dos mais velhos. Valorizamos nossas pinturas, arte, pesca são entre outras algo que fazemos e entendemos que é necessário para a sobrevivência espiritual e física desse mundo", definiu Marcelo.

REPARAÇÃO

Em meio ao cenário de abandono, superado pelos que resistiram à pandemia, em meio ao negacionismo oficial, paralisação das demarcações, agora, o momento é de esperança pela retomada da reparação histórica. Foi o que destacou o professor-doutor Jorge Vieira do Cesmac. Ele lembra que o genocídio recente não será esquecido assim como o dos antepassados de todos os povos. Mas, há de se articular e mobilizar não só os indígenas, mas a sociedade como um todo para que compreendam que a reparação é a única saída para uma busca pelo equilíbrio de convivência do Brasil com seu DNA: o dos índios. "A situação dos povos indígenas do Brasil nos últimos seis anos a política indigenista oficial foi um desastre. Na sua maioria depende do Governo Federal. A partir do governo de Michel Temer e do último governo de Jair Bolsonaro tornou-se caótica. Todas as garantias constitucionais foram totalmente desrespeitadas. O novo cenário é que o terceiro governo do presidente Luis Inácio Lula é que ele coloque em prática o que falou, em 2002, na comunidade Xucuru de Orurubá, em Pesqueira. Naquela época afirmou que se ganhasse pagaria a dívida histórica. Algumas foram feitas desde então, mas muitas outras deixaram de ser feitas como a demarcação da terra que está prevista na Constituição", disse Vieira. A expectativa é que com a criação do Ministério dos Povos Originários a pauta seja retomada de forma qualificada e eficaz, já que a ministra é a indígena Sônia Guajajara. O mesmo sinal foi dado com a indicação de uma indígena para a Funai. Na Secretaria Especial de Saúde Indígena há outro indígena e, também, nas regionais. "Mas não basta apenas a indicação indígenas é preciso que tenham de fato o conhecimento e a competência, além do compromisso com as políticas públicas. É isso que se espera e que eles não tenham sido escolhidos apenas por critérios políticos, mas técnicos também", cobrou Jorge

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