Política
Defesa Social teme onda de vingan�a em Minador
LUIZA BARREIROS O diretor-geral da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, afirmou ontem que teme uma nova onda de violência em Minador do Negrão, após o assassinato do ex-vereador e secretário de Administração do município, Jacó Ferro. O crime aconteceu na última sexta-feira e trouxe de volta à cidade o clima de medo e intranqüilidade. ?O que se vislumbra são mais problemas na cidade, com a expectativa de que começarão as vinganças?, disse. Segundo Lisboa, apesar do aumento do efetivo policial na cidade e na região, dificilmente haverá o que fazer para evitar que crimes de vingança como o que foi praticado contra Jacó Ferro aconteçam. ?Quando há uma determinação de matar alguém por vingança, nem Deus pode evitar?, afirmou Lisboa. Segundo ele, para a polícia não há dúvida de que a morte de Jacó Ferro tem ligação com a disputa política entre os grupos do fazendeiro José Nilton Cardoso Ferro e do deputado estadual Cícero Ferro (PMDB), e que o autor do assassinato foi Eronildo Barros, apontado como segurança do deputado. ?Quando ele [Eronildo] foi preso, no ano passado, ele disse que aquilo era coisa do Jacó Ferro e que ele [Jacó] pagaria por isso. Ele saiu na prisão na quinta-feira, foi recebido na cidade com trombetas e cartazes, bebeu a tarde toda e no outro dia saiu de casa para cometer o crime?, lembrou. ?A própria mulher do Eronildo disse à polícia que ele saiu de casa com o irmão, na motocicleta vermelha utilizada pelos assassinos?, complementou. Para o delegado, ?Minador e a família Ferro são difíceis e problemáticos?. ?O que a polícia pode e deve fazer, está fazendo. Testemunhas foram ouvidas, um suspeito foi apontado e está sendo caçado?, afirmou. Além disso, segundo ele, homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar foram mandados para o município e foi aumentado o efetivo de policiais na delegacia. ?Mas apesar de tudo isso, é difícil dizer que não vai acontecer nada?, admitiu. ?Se for preciso colocar 200 homens em Minador, a gente coloca. A cidade fica mais segura para a população, mas existem tipos de crime, como de vingança, que não tem polícia que evite. Eles sempre vão achar um momento para cometer o crime?, afirmou. O delegado criticou a Justiça por ter relaxado a prisão de Eronildo, no processo em que ele é acusado pelo assassinato do trabalhador rural Ednilson Teixeira Alves ? crime pelo qual estava preso até quinta-feira no Cirydião Durval. ?Para a Justiça, ele ainda é um réu primário. Enquanto ele não for julgado, pode cometer quantos crimes quiser e ainda terá os benefícios garantidos aos réus primários?, comentou. Para o delegado, crimes desse tipo só são evitados quando o responsável ?sente o peso da lei?. ?É preciso acabar com essa história de que a polícia prende, eles passam dois, três meses na prisão e depois respondem em liberdade?, complementou.