Política
TORRES NEGA INTERFERÊNCIA NA PRF DURANTE AS ELEIÇÕES
O ex-ministro da Justiça Anderson Torres disse, em depoimento à Polícia Federal ontem, que viajou a Salvador entre o primeiro e segundo turno das eleições a convite do então diretor-geral da corporação, Márcio Nunes de Oliveira, para vistoriar uma obra na superintendência regional do órgão.
De acordo com relatos feitos à Folha de S.Paulo, Torres também disse no depoimento que sua conversa com o superintendente da PF na Bahia, Leandro Almada, tratou sobre uma preocupação manifestada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do estado em relação à possível falta de efetivo no dia do segundo turno.
Aos investigadores, Torres alegou que sua única preocupação era o combate a crimes eleitorais, independentemente do candidato ou partido.
A Polícia Federal apura uma viagem do então ministro de Jair Bolsonaro (PL) à Bahia na época. Na ocasião, Torres teria pedido à Polícia Federal que atuasse com a Polícia Rodoviária Federal para realizar blitze em locais em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia recebido mais votos que o então presidente no primeiro turno.
Nesse sentido, uma das linhas de defesa de Torres no depoimento desta segunda foi ressaltar que a ideia da viagem à Bahia não partiu do ex-ministro.
Ele ainda afirmou jamais ter interferido em planejamentos operacionais da PF e da PRF, e disse que não houve nenhuma determinação para atuação conjunta dessas corporações no dia do pleito.
Após a oitiva, seu advogado, Eumar Novacki, disse em nota que o “depoimento ocorreu dentro da normalidade”.
“Anderson Torres compareceu à sede da Polícia Federal, abriu mão de seu direito constitucional ao silêncio e respondeu todos os questionamentos formulados”, disse o advogado. “Mantém a postura de cooperar com as investigações, uma vez que é o principal interessado no rápido esclarecimento dos fatos e acredita que a verdade prevalecerá”.