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Nº 5758
Política

Lessa diz que continuar� a ser aliado do governo Lula no PDT

ODILON RIOS O governador Ronaldo Lessa (PSB) nem mesmo assinou a ficha de filiação no PDT e já deu um sinal de que vai causar polêmica no partido. Em entrevista coletiva concedida na manhã de ontem, no Palácio Floriano Peixoto, o governador disse que con

Por | Edição do dia 02/02/2005 - Matéria atualizada em 02/02/2005 às 00h00

ODILON RIOS O governador Ronaldo Lessa (PSB) nem mesmo assinou a ficha de filiação no PDT e já deu um sinal de que vai causar polêmica no partido. Em entrevista coletiva concedida na manhã de ontem, no Palácio Floriano Peixoto, o governador disse que continuará a ser aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Meu objetivo no PDT é ser a favor de Lula, ao mesmo tempo convivendo com Jefferson Péres (AM), que é contra isso”, disse Lessa, afirmando que será um amigo do governo federal, apesar de a sigla andar do lado oposto. Péres é líder do PDT do Senado e, na semana passada, em entrevista exclusiva à GAZETA, afirmou que Lessa “precisa ter consciência que o PDT é oposição ao governo Lula”. Péres alertou que sua afirmação era para evitar “problemas futuros ao próprio governador”. Mas, segundo Lessa, o presidente Lula “sabe” de sua ida para o PDT. “A minha contribuição no PDT não é para que ele volte a ser da base aliada do Lula, mas um partido crítico”, destacou, com um discurso mais moderado que de costume, parecendo não querer entrar em conflito nem com Lula nem com a direção nacional do PDT. “Isso de dizer que o fato de ser oposição ou não vai prejudicar o Estado não existe. O Lula me chama de amigo, de irmão, mas o dinheiro não vem a Alagoas na proporção dos elogios do presidente”, disse, sorrindo, o governador. Segundo Lessa, sua entrada no PDT não foi condicionada a nenhum cargo nacional. “Eu não estou ingressando no PDT para assumir a direção nacional ou a vice-presidência do partido, como se especula”, garantiu. “Vai ser um alívio a minha saída do PSB”, reconheceu, referindo-se à direção nacional. “Acho que meus eleitores vão entender a minha saída”, acrescentou, argumentando que o PSB não acaba em Alagoas e que estará sob o comando do vice-governador Luis Abílio de Sousa e da secretária de Saúde e ex-prefeita de Maceió, Kátia Born, hoje presidente e vice-presidente regional da sigla, respectivamente. “Vou para o PDT tentando preservar o PSB”, reforçou. Ideologia Antes de começar a entrevista coletiva, Lessa procurou dar um tom ideológico ao falar de sua saída do PSB, mostrando que é “um humanista” e “contra o capitalismo”, como avaliou: “Esgotou-se um ciclo. Não tinha que ficar mais no PSB”, sentenciou, logo após o discurso. A bem da verdade, o anúncio da desfiliação de Lessa vai além da ideologia: governador estava mesmo insatisfeito com a direção nacional do PSB, com quem havia rompido há dois anos, após a eleição do diretório nacional. Lessa foi candidato à presidência nacional do PSB, mas acabou perdendo para o deputado federal Miguel Arraes (PE). Depois da votação, ele ficou sem voz e sem assento na Executiva Nacional. “A decisão [de sair do PSB] foi antecipada porque Carlos Lupi [presidente nacional do PDT] mostrava que se eu entrasse agora no partido, ajudaria no ingresso de outros quadros”, contou, dando a entender que mais pessoas do PSB nacional ou de outros partidos poderiam entrar no PDT. Esse será o quarto partido do governador alagoano: foi militante do PCR nos anos 70, ingressou no PMDB, foi para o PSB em 1985 e assinará a ficha de filiação no PDT no dia 10 de fevereiro.

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