Política
DEPUTADOS E POPULAÇÃO COBRAM MELHORIA NO ABASTECIMENTO D’ÁGUA
Alto valor das tarifas cobradas pela BRK também foi discutido ontem em sessão especial promovida pela Assembleia Legislativa
A falta d’água e o alto valor das tarifas implementadas na Região Metropolitana de Maceió pela BRK foram o tema da sessão especial realizada ontem pela Assembleia Legislativa. Parlamentares, prefeitos da região metropolitana e moradores cobraram da empresa soluções para esses problemas.
Em abril deste ano, pouco mais de três anos depois de ganhar o leilão da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) para assumir os serviços de água e esgotamento sanitário em 13 cidades da Região Metropolitana, a concessionária acumula mais de 12 mil reclamações provenientes de consumidores insatisfeitos com os serviços prestados.
“Não há nada mais simbólico hoje do que essa garrafa d’água”, disse a deputada Gabi Gonçalves, segurando uma garrafa plástica com água turva e de aparente péssima qualidade, retirada da torneira de uma casa no bairro do Trapiche, em Maceió. “Isso quando a água chega, pois pode faltar por mais de um mês, porque existe um racionamento inexplicável por parte da concessionária”.
“É o momento para ouvirmos a empresa e a população, que certamente tem reclamações. Por isso vamos promover esse debate e buscar soluções”, complementou o deputado Cabo Bebeto (PL)), que levantou uma série de questões sobre o investimento da BRK, a troca de medidores e a realização de mutirões pela empresa para equacionar problemas.
BRK AMBIENTAL
O diretor-presidente da BRK Ambiental, Herbet Dantas, apresentou números e dados da atuação da empresa na Região Metropolitana de Maceió e avaliou como uma “questão cultural” a mudança de saneamento em todo o Brasil. Ele lembrou que a Casal não foi privatizada, mas houve uma outorga da concessão do serviço por um período de 35 anos. A produção de água ainda é de responsabilidade da Casal. Além disso, com investimentos que somariam mais de meio milhão de reais por dia, ele apresentou a construção de 13 novas ETAs (Estações de Tratamento de Água) e outras 6 reformadas, assim como 16 novas ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto), com outras duas reformadas. Em relação à tarifa, Herbet reforçou que a tarifa foi estabelecida no processo licitatório, com reajuste anual. Márcio Lima, prefeito de Santa Luzia do Norte, questionou os números apresentados pelo diretor-presidente. Ele destacou ainda o investimento diário de “meio milhão” e imaginou que seja aplicado nas áreas nobres, ignorando a população mais carente e que oferece menos lucro para a empresa. Já o morador Erilo Oliveira, do bairro do Jacintinho, disse que nada melhorou após a chegada da BRK. “Na verdade, piorou. A água falta sem a empresa nos comunicar, a água é de péssima qualidade, isso quando não ficamos uma semana sem ela”.
SANEAMENTO
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O promotor da 2ª Promotoria de Justiça de Rio Largo, Magno Alexandre Moura, disse ser muito importante a fala do público. “Todos são afetados com a questão da água e do saneamento em Rio Largo”, destacou o promotor, cobrando mais obras de saneamento e escoamento. “Temos o grande desafio: apesar de a Casal fornecer a água e distribuir para a BRK, ela não está chegando em muitas torneiras. O povo tem sofrido por isso”.