Política
LULA PROPÕE MOEDA COMUM PARA PAÍSES SUL-AMERICANOS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu ontem, em Brasília, uma cúpula de países da América do Sul convocada pelo Brasil, com a presença de 11 chefes de Estado, e defendeu o aprofundamento da integração regional, inclusive com a criação de uma moeda comum.
A proposta não significa a adoção de uma moeda corrente comum entre todos os países sul-americanos, como é hoje o euro na maioria dos países da União Europeia (UE), mas uma unidade monetária para pagamento de importações e exportações, que permitiria que os países concluíssem essas transações sem recorrer ao dólar.
Lula disse que os interesses dos países presentes no encontro estão acima de “divergências ideológicas” e propôs a criação de um grupo formado por representantes dos 11 governos que prepararia dentro de 120 dias um plano de políticas públicas para aproximar as relações e as trocas econômicas entre os países.
“Permitir que as divergências se imponham teria um custo elevado, além de desperdiçar o muito que já construímos conjuntamente”, afirmou. O brasileiro disse que a região teria os meios necessários para superar os abismos sociais que persistem desde a época colonial.
Lula apresentou os dez pontos iniciais de sua estratégia visando essa nova integração regional, que inclui a criação de uma “unidade de referência comum para o comércio” na América do Sul, para diminuir a dependência do dólar. Desde o início de seu terceiro governo, Lula vem fazendo críticas ao predomínio do dólar no comércio internacional e defendendo a adoção de alternativas.
CRÍTICAS
Os presidentes do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, e do Chile, Gabriel Boric, criticaram ontem a fala de Lulasobre a criação de uma “narrativa”, se referindo à ditadura na Venezuela. Após uma reunião bilateral na segunda-feira com Maduro, Lula afirmou que a Venezuela é “vítima de uma narrativa de antidemocracia e autoritarismo”. Ontem, após uma reunião entre 11 chefes de Estado da América do Sul, realizada no Palácio do Itamaraty, os líderes do Uruguai e do Chile se manifestaram contrários ao posicionamento do presidente brasileiro. Sem citar o nome de Lula, Lacalle Pou se disse “surpreso” com a fala e afirmou que “sabem o que pensamos a respeito da Venezuela e ao governo da Venezuela”. Já o líder chileno, Gabriel Boric, disse que não se trata de uma narrativa, mas de “uma realidade séria”.