Política
CRM: NOVOS CURSOS DE MEDICINA NÃO OBSERVAM CRITÉRIOS BÁSICOS
Atualmente o Brasil conta com 389 escolas de medicina em funcionamento, crescimento registrado especialmente a partir de 2013, quando quase 200 passaram a funcionar, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). A entidade alerta que a maioria dos novos cursos não observa critérios considerados fundamentais para a boa formação dos futuros profissionais.
Na avaliação do CFM, a rede de saúde do município que sedia uma escola médica precisa, por exemplo, oferecer aos alunos leitos de internação e observação que propiciem o desenvolvimento de habilidades; equipes de saúde da família, cuja disponibilidade permita a inserção de alunos na rede de saúde local e unidades de saúde-escola com ambulatórios de diferentes especialidades; além de serviços de pronto atendimento, atenção psicossocial ou maternidades.
Além disso, o CFM cita que o processo de autorização de uma nova escola de Medicina também precisa levar em consideração a oferta de professores qualificados e em número suficiente; projetos pedagógicos inovadores; compromisso da escola médica com a comunidade e rede regional do Sistema Único de Saúde (SUS); existência de rede de atenção à saúde suficiente para o ensino e o treinamento profissional, além de salas de aulas, laboratórios e bibliotecas em boas condições de manutenção e acessibilidade.
“Neste sentido, defendemos a retomada de critérios qualitativos e quantitativos que, inclusive, antecedem a instituição do Programa Mais Médicos e que, ao longo da última década, foram sendo flexibilizadas. Veja, todos os brasileiros merecem eficácia e segurança no processo de atendimento à saúde. E como isso poderia ser alcançado? Uma das necessidades é a existência e disponibilidade de infraestrutura suficiente para permitir a experiência de aprendizagem de forma plena”, destaca o conselheiro federal por Alagoas, médico Emmanuel Fortes.
6,6 MIL MÉDICOS
“De acordo com a Demografia Médica, organizada pelo Conselho Federal de Medicina, o País conta no momento com mais de 545 mil médicos com até 80 anos. Em Alagoas, são 6.693 médicos em condições de atender a população. A razão de médicos por grupo de mil habitantes no Brasil pulou de 1,52, no ano de 2010, para 2,56, no momento. No mundo, são poucas as nações que contam com uma força de trabalho qualificada desse porte”, explica Fortes. O conselheiro federal destaca que, no entanto, os desafios para que esse grupo continue a atender a população com segurança e eficácia também são enormes. No entanto, podemos resumir em três grandes eixos. O primeiro é oferecer aos médicos as condições de trabalho, como acesso a leitos, exames e medicamentos, que permitirão o exercício de sua profissão no limite de sua competência. “Além disso, é necessário promover a valorização da medicina. Tem que ser ofertado ao médico remuneração e estímulos profissionais que sejam compatíveis com sua dedicação, preparo e responsabilidade. A criação de uma política pública atenta a esse aspecto é essencial para estimular a migração desses profissionais para áreas de difícil provimento, fixando-os nessas regiões”, diz Fortes. Em relação ao terceiro desafio, o médico reforça que é preciso inserir a medicina no contexto do avanço tecnológico, sem perder sua essência que depende, fundamentalmente, da relação entre o médico e paciente.