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Na C�mara, elei��o entra pela madrugada

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Brasília - A ofensiva do governo federal para eleger Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) presidente da Câmara dos Deputados nas eleições de ontem sofreu dois importantes revezes, causadas pelas bancadas de PSDB e PMDB. As movimentações contra o deputado paulista não desanimaram seus partidários, no entanto, que diziam acreditar na vitória de Greenhalgh já no primeiro turno. Os governistas acreditavam na vitória principalmente por causa do empenho do Palácio do Planalto na eleição de Greenhalgh: deputados comentavam reservadamente que ministros passaram o dia arrebanhando votos com promessas de cargos e verbas. A eleição começou às 18h, mas não havia sido concluída até o fechamento desta edição. Às 23h, 350 parlamentares já haviam depositado seus votos nas quatro urnas disponíveis no Plenário - duas para o voto no presidente e duas para os demais cargos da Mesa. No PMDB, o preferido pelo governo para ser o candidato à 1ª secretaria da Casa teve sua indicação rejeitada na bancada, por 54 votos a 31, devido à união da ala oposicionista do partido ao grupo do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, que esteve no Congresso para acompanhar as articulações. A tendência é que Garotinho e os oposicionistas do PMDB - que tentam hoje destituir da liderança da bancada o governista José Borba (PR) - reforcem as candidaturas de Severino Cavalcanti (PP-PE) e de Virgílio Guimarães (PT-MG), dissidente que enfrentou o Planalto e a direção do PT com a manutenção de sua candidatura avulsa. Virgílio se revoltou ontem após saber que estava sendo distribuído nos gabinetes a carta em que ele desejava sorte a Greenhalgh, em dezembro, no dia em que desistiu de disputar com o paulista a indicação da bancada. ?O desespero de uns poucos que ainda não aprenderam as regras democráticas que vigoram no PT, partido que ajudei a fundar 25 anos atrás, os leva a atitudes que beiram o ridículo?, afirmou, em nota. O candidato oposicionista José Carlos Aleluia (PFL-BA) usou seu discurso para acusar o governo de manipulação na Casa. ?Os ministros estão funcionando como feitores dos votos dos deputados?, disse o deputado. A eleição para a presidência da Câmara envolveu ainda José Carlos Aleluia (PFL-BA) e Jair Bolsonaro (PFL-RJ) e seria decidida em votação secreta, ganhando aquele que obtivesse a maioria dos votos dos presentes à sessão. Caso não houvesse maioria, ocorreria 2º turno entre os dois que obtivessem o melhor desempenho. Em reunião entre João Paulo Cunha (PT-SP), presidente que deixaria ontem o posto, e os candidatos, houve bate-boca devido ao fato de que Virgílio afirmava haver a possibilidade de fraude caso as cédulas fossem distribuídas com antecedência. Greenhalgh afirmou então que defendia votação aberta, não secreta. O meio-termo encontrado foi realizar a votação com cédulas distribuídas na hora. A votação se iniciou tranqüilamente, após discursos oficiais de todos os candidatos. Aleluia dedicou sua fala para atacar Greenhalgh. Ele recordou a forma como o governo impediu a instalação de uma CPI para investigar o caso Waldomiro Diniz (assessor da Casa Civil acusado de extorsão). Virgílio não fez ataques pessoais a Greenhalgh e preferiu justificar a legitimidade de sua candidatura. Severino seguiu na mesma linha e defendeu a não-submissão à pauta do Planalto. Greenhalgh não passou recibo aos ataques, sustentou a continuidade da gestão de João Paulo e disse que as outras candidaturas ?representam a desordem?. Balanço João Paulo se despediu do cargo em solenidade de lançamento de um balanço de sua gestão, de biografias parlamentares e de um livro com imagens da Câmara. ?Alguns querem que hoje seja um dia de guerra, mas não vai ser. Vai ser um dia de paz?, afirmou. Ele também fez um ?elogio crítico? à imprensa, cuja atuação atacou por várias vezes durante seu mandato. ?Agradeço à imprensa, que relata sobretudo o lado ruim da Câmara e o lado ruim dos deputados. Mas é melhor assim do que não haver imprensa?, afirmou. Leia mais na página A9

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