Política
Alagoas retoma posi��o de destaque nacional
João Lins Vieira Cansanção de Sinimbú presidiu o Senado aos 77 anos, no biênio 1887-1888. Tomou posse como senador em 1858 e fez uma carreira política notável, ocupando vários cargos importantes no Segundo Império, sendo titular dos ministérios dos Estrangeiros, da Agricultura, da Justiça e da Fazenda, além de ter sido Ministro da Guerra interino; finalmente ocupou o posto de Presidente do Conselho de Estado (primeiro-ministro). No início de sua vida pública, foi presidente (governador) de Alagoas, em 1840. Exerceu também as presidências das províncias do Rio Grande do Sul e da Bahia e foi até chefe de Polícia da Corte. Um dos maiores destaques de Sinimbú se deu na gestão do Ministério da Agricultura, quando implantou em todo País o atual sistema de pesos e medidas (enfrentando a famosa ?Revolta dos Quebra-Quilos?) em 1862. Nasceu em São Miguel dos Campos, em 20 de novembro de 1810. Seus pais, Manoel Viera Dantas e Ana Maria Lins, assumiram posições revolucionárias e modificaram o nome de família para asseverar seu caráter nacionalista e buscaram inspiração na natureza nordestina, daí os filhos usarem ?Cansanção de Sinimbú?. Quando da Confederação do Equador (1824), a família de Sinimbú apoiou a rebelião e teve seu engenho invadido e incendiado. Ana Lins, que resistiu com armas na mão, foi presa. João, então com 14 anos, acompanhou a mãe nessa detenção (na cadeia da cidade de Alagoas, hoje Marechal Deodoro). Apesar dos pais rebeldes, Sinimbú tornou-se um líder conservador e fiel à monarquia, tendo recusado todos os convites da República para continuar a exercer cargos no novo regime. Longevo, morreu no Rio de Janeiro aos 96 anos, em 21 de dezembro de 1906. Da velhice de Sinimbú, ficou um testemunho de Machado de Assis: ?Ouvi falar a este bastante vezes; não apaixonava o debate, mas era simples, claro, interessante, e fisicamente, não perdia a linha. Esta geração conhece a firmeza daquele homem político, que mais tarde foi presidente do Conselho e teve que lutar com oposições grandes?.Brilhantismo Floriano Vieira Peixoto presidiu o Senado aos 52 anos de idade, no biênio 1891-1892, interrompendo a gestão para assumir a Presidência da República em função da renúncia do titular, o conterrâneo Marechal Deodoro da Fonseca. Filho de pais pobres, Ana Joaquina de Albuquerque e Manoel Vieira de Araújo Peixoto, Floriano nasceu em Maceió, na localidade de Ipioca, em 30 de abril de 1839 (ano em que Sinimbú iniciava sua liderança política comandando a tumultuada transferência da Capital da província para Maceió). O pai de Floriano também se meteu com revoltas e participou da chamada ?Guerra entre Lisos e Cabeludos?, nos idos de 1840; e estando do lado perdedor da refrega, viu piorar sua condição de vida. Quebrado, ?deu? o filho Floriano para o tio e padrinho criar. O coronel José Vieira, bem estabelecido senhor de engenho, cuidou muito bem do menino, e o educou e possibilitou seu acesso à carreira militar. Um dos mais brilhantes militares brasileiros de todos os tempos, Floriano Peixoto conquistou todas as condecorações de sua época e participou dos teatros de operações de três campanhas: Uruguai, Argentina e Paraguai. Na mais terrível das guerras, a do Paraguai, teve atuação notável e participou pessoalmente do cerco final a Francisco Solano López, na localidade de Cerro Cora, trazendo como troféu de batalha a manta de cavalo do próprio líder paraguaio. Senador por Alagoas em 1890, foi eleito primeiro vice-presidente da República em 1891 e, ao mesmo tempo, presidente do Senado. Apesar de interrompida, em 23 de novembro de 1891 (em função da renúncia de Deodoro, Floriano assumiu a Presidência da República nesta data), sua gestão na presidência da Câmara Alta ficou destacada pela intensidade dos trabalhos naquela casa, quando foram realizadas 140 sessões e apreciadas 879 proposições (projetos de lei, indicações, requerimentos e ofícios). Floriano Peixoto foi o consolidador da República e derrotou as rebeliões e inseguranças do novo regime. Tornou-se um ídolo popular e referência política, apesar do curto tempo de dedicação à atividade política. Militar de ?linha dura?, não foi ditador e recusou todas as ofertas e articulações para permanecer no poder. Findo seu mandato, renegou as tentativas de golpe contra seu sucessor e recolheu-se à vida civil. Morreu prematuramente, aos 56 anos de idade, e seu enterro constituiu-se na maior manifestação pública até então realizada no Brasil, reunindo uma multidão calculada em 300 mil pessoas.