Política
Renan Calheiros assume presid�ncia do Senado
KLECIUS HENRIQUE Brasília - O senador Renan Calheiros (PMDB), 49 anos, assumiu a presidência do Senado, ontem, sob o olhar atento de alagoanos. Eles lotaram a tribuna de honra e as galerias da Casa para acompanhar a chegada do conterrâneo ao posto. Renan prometeu lutar pela valorização do Legislativo. Em 2004, Senado e Câmara ficaram reféns da votação de medidas provisórias, enviadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Renan foi eleito em 15 minutos em votação secreta e, logo após, presidiu a sessão que elegeu os integrantes da Mesa Diretora. ?É o maior desafio da minha vida pública. Tenho consciência da enorme responsabilidade sobre meus ombros, entre elas a de continuar pautando minha atuação pela tolerância, paciência, pela temperança e pela moderação?, disse Renan, pouco depois de ser eleito com 72 votos a favor (dois senadores declaram o voto em ata depois de encerrada a votação, o que aumenta o placar para 74 votos favoráveis), quatro contra e nenhuma abstenção. Renan começou a série de agradecimentos citando alagoanos que, confessou ele, o inspiravam na vida política: o ex-presidente Floriano Peixoto, herói da Guerra do Paraguai que também presidiu o Senado, e o ?apóstolo da redemocratização?, o senador Teotônio Vilela . ?Quando Floriano retornou da guerra, não foi para as galas da vida pública que ele voltou, mas para Alagoas, que considerava sua pátria, para reabilitar as terras em decadência de sua família. Passadas as batalhas, é lá que irei curar minhas feridas e retemperar minhas forças. Como Floriano, estarei voltando à minha pátria, porque das glórias da vida desse bravo, esta é certamente a única que consigo vislumbrar. Por isso, a evocação de Alagoas, de onde nunca me afastei?, discursou Renan. O novo presidente do Senado evitou atacar diretamente a política do Palácio do Planalto de governar por edição de medidas provisórias, mas convocou os senadores a convencer o governo Lula a evitar o instrumento. ?Exorto o Senado a resistir à tentação de ?legislar governando? e lembro ao Executivo a necessidade de não ?governar legislando?. Sempre que não renunciamos a essa tentação ? e os governos não a evitaram ? o Brasil padeceu os rigores do autoritarismo. É chegada a hora de encontrarmos remédio para esse mal?, disse Renan. O presidente do Senado prometeu ainda mudanças na aprovação do Orçamento da União, considerado peça de ficção por deputados e senadores. ?A lei de orçamento há de evoluir. E evolução significa um orçamento mais impositivo, mais transparente e que garanta uma melhor qualidade do gasto público. Esse tema estará no topo da nossa agenda nos próximos anos?, afirmou. ?O nosso ordenamento jurídico exige não uma reforma, mas uma revolução?, acredita. Mesa Diretora Para os demais cargos da Mesa Diretora do Senado foram eleitos: o senador Tião Viana (PT-AC) para 1º vice-presidente; o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) para 2º vice-presidente; o senador Efraim Morais (PFL-PB) para 1º secretário; o senador João Alberto Souza (PMDB -MA) para 2º secretário; o senador Paulo Octávio (PFL-DF) para 3º secretário; e o senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO) para 4º secretário. Como suplentes de secretários foram escolhidos os senadores Serys Slhessarenko (PT-MT), Papaléo Paes (PMDB-AP), Alvaro Dias (PSDB-PR) e Aelton Freitas (PL-MG).