Política
Petista culpa governo; Lula reage
O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) culpou ontem o governo por sua inesperada derrota na corrida para a presidência da Câmara. Ele considerou que o Executivo se relacionou mal com a Casa, que os líderes aliados não conseguiram controlar suas bancadas e que a oposição aproveitou para antecipar as eleições de 2006. ?Eu perdi as eleições mas a derrota é destinada ao governo. O voto que me derrotou foi o voto da insatisfação do tratamento que os parlamentares receberam do governo, mais o voto da oposição, que, passando por cima dos costumes da Casa, quis antecipar o processo eleitoral de 2006?, disse Greenhalgh, após assistir à sessão de abertura do Congresso. Com olheiras profundas e gesticulação nervosa, insistiu nos erros cometidos pelo governo: ?O poder Executivo tem que rever o tipo de relacionamento que tem com os parlamentares. E acho que os líderes partidários têm que rever o relacionamento que têm com suas bancadas?, completou. Ele não quis prolongar a entrevista, dizendo estar cansado. Apesar disso, se esforçou para demonstrar bom humor e aceitação. Essa explicação resume os dois principais pontos do balanço da derrota para um candidato até então considerado inexpressivo. Primeiro, o governo confiou nas lideranças partidárias da base ao fazer a contabilidade de votos para Greenhalgh, ignorando os sinais de desarticulação partidária. Segundo, subestimou a força do chamado ?baixo clero?. Num primeiro momento, esse grupo impulsionou a candidatura do dissidente petista Virgílio Guimarães. Depois migrou para a candidatura avulsa de Severino. Ambos, de fato, tinham um acordo de mútuo apoio para um segundo turno. Virgílio não compareceu à sessão de ontem à tarde. Porém, quando a apuração foi concluída pela manhã, se eximiu de ter sido pivô na derrota do governo: ?Política é como nuvem. Cada um enxerga o que quer?. Lula: ?sem dificuldades? Ontem, antes de embarcar para o Suriname, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou a possibilidade de o governo enfrentar uma crise política a partir do resultado da eleição para a presidência da Câmara. Em entrevista à imprensa, Lula afirmou que a eleição de Severino Cavalcanti não deverá trazer qualquer problema para o Executivo, na medida em que o novo presidente da Câmara sempre vota com a base governista. ?Não haverá nenhuma dificuldade. A Câmara não funciona assim. Eu não tenho dúvida de que os projetos serão votados, como foram votados com o João Paulo e outros governos. Não há problema. Agora, os partidos vão ter de estabelecer novas relações, na medida em que uma tradição da Câmara foi quebrada. Mas esse é um problema interno da Câmara e dos partidos, não passa pelo governo?. O presidente minimizou a derrota afirmando que quem disputou foi o PT, e não o governo. ?O que aconteceu foi o resultado de uma ação democrática. Ou seja, vai para a votação e ganha quem tem mais voto. Já falei com o Severino hoje [ontem] e ele sempre votou com o governo e fez parte da bancada do governo. Portanto, a divisão interna que houve acabou quando saiu o resultado. O governo não disputou, foi o PT?, afirmou o presidente.