Violência
REDE DE PROTEÇÃO À MULHER AINDA É FALHA NO INTERIOR, DIZ ESPECIALISTA
Diretora da Faculdade de Direito da Ufal diz que violência contra a mulher está em todas as classes sociais
A questão do combate ao feminicídio ganhou destaque novamente na sociedade após o chocante assassinato de Mônica Cavalcante, ocorrido no dia 18 de junho, na cidade de São José da Tapera, localizada no sertão de Alagoas. O marido dela, Leandro Barros, segue foragido.
Elaine Pimentel, professora e diretora da Faculdade de Direito (FDA) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), falou sobre violência contra a mulher em entrevista ao podcast da universidade. Ela contou que o apoio de mulheres é fundamental para vítimas de relacionamento abusivo.
“Quando uma mulher percebe que precisa sair desse relacionamento, ela não sai da noite para o dia. Ela precisa de uma caminhada, se encorajar, por isso que a rede de apoio é importante”, disse.
“Além disso, precisamos de uma rede de atendimento (conjunto de iniciativas do poder público e sociedade civil, como ONGs), que possa amparar essas mulheres, para que elas se encorajem. O primeiro ato delas, que querem sair da violência, é se encorajar, e não denunciar. Elas precisam de acolhimento. E nós, mulheres, precisamos nos ajudar, praticar a sororidade”, completou ela, acrescentando que atualmente a rede protetora existente ainda é falha e que falta esse serviço no interior do Estado.
Porém, destaca: “Temos mecanismos fortes de proteção à mulher que são conquistas históricas, com lutas de mulheres que nos antecederam. Temos uma lei que precisa ser acionada. Uma mulher só não pode procurar seus direitos quando foram marcadas no corpo”.
“Relacionamos como o de Mônica se funda na cultura de que a mulher é propriedade do homem. A violência de gênero praticada contra as mulheres que culminam no feminicídio está em todas as classes sociais, mesmo em mulheres que têm alta escolaridade, com independência. Todas nós podemos vivenciar situações de violência fruto de relacionamento abusivo”, fez o alerta.
Antes de ser morta, Mônica gravou alguns vídeos denunciando que estava sendo ameaçada pelo marido e que, se algo acontecesse com ela, o companheiro seria o culpado. As imagens do desabafo da vítima se disseminaram na internet, ganhando repercussão nacional.
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Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), Alagoas registrou, entre janeiro e maio deste ano, 15 casos semelhantes ao de Mônica. Foram dois casos em Maceió, dois em Arapiraca e 11 casos nas demais cidades, que não são especificadas pela secretaria. Em todo o ano passado, foram 44 feminicídios no Estado.
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