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Aliados da base do governo trocam insultos em plen�rio

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MARCOS RODRIGUES A base do governador Ronaldo Lessa (PDT) na Assembléia Legislativa de Alagoas (ALE) entrou em choque, ontem, durante a sessão que marcou a indicação dos líderes dos partidos que farão parte das comissões permanentes da Casa. Com um discurso forte, o deputado Adalberto Cavalcante (Prona) foi à tribuna para criticar o colega deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT). Diante de uma platéia surpresa, no plenário e nas galerias, Adalberto acusou Paulão de ?usar a imprensa para se promover?. O motivo foi a transferência do ex-tenente-coronel PM Manoel Francisco Cavalcante para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, localizado no interior de São Paulo. ?O senhor gosta de usar a imprensa para aparecer e fazer politicagem, a política do urubu. Além disso é um homem sem palavra. E um homem invejoso. Eu não me vendo. Cadê as denúncias do Cefet [Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas] e as contra o governo??, indagou Adalberto, em quatro minutos de discurso escrito. Contra-ataque O deputado Paulão devolveu no mesmo tom as críticas de Adalberto Cavalcante e ainda afirmou que obteve informações de que o parlamentar interveio para que ?seu primo, o coronel Cavalcante, permanecesse no Estado?. O petista se disse convencido de que o ex-oficial ?comandava crimes de dentro do presídio Baldomero Cavalcanti?. A divergência entre os dois parlamentares surgiu depois que foi revelada uma visita do deputado Adalberto ao Baldomero Cavalcanti para conversar com o ex-tenente coronel. ?Estive lá como membro da Comissão de Direitos Humanos?, confirmou Adalberto. A Comissão de Direitos Humanos é presidida pelo próprio Paulão. Adalberto considerou Paulão ?omisso? e pediu sua destituição. Controle O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PSB), não consegui evitar o bate-boca entre Paulão e Adalberto. Os dois ultrapassaram os limites da convivência parlamentar. Palavras como ?palhaço? e ?sem-vergonha? entraram para os anais da Casa de Tavares Bastos. Quando retomou o controle da sessão, Celso Luiz atendeu ao pedido de suspensão sugerido pelo deputado Marcos Ferreira (PSB). Entretanto, enquanto todos pensavam que a saída estratégica era para discutir as indicações para as comissões, ela serviu para um ?puxão de orelhas? do presidente nos dois deputados exaltados. Outros parlamentares também ajudaram Celso a resolver a contenda. Ao retornar para o plenário, o presidente da Mesa Diretora da Casa anunciou o fim da polêmica. ?Isso não é bom para a imagem do Poder Legislativo. Por isso, gostaria que os dois parlamentares dessem o assunto por encerrado?, impôs Celso Luiz. A essa altura, não existia mais clima para a sessão. Paulão e Adalberto mantinham olhares distantes, mas já conseguiam sentar próximos. Depois que foi encerrada a sessão, ambos deixaram o plenário para evitar o assédio da imprensa. A divergência pública, entretanto, serviu para mostrar um abalo na base de sustentação do governador Ronaldo Lessa. Não se acredita num racha, porque Paulão e Adalberto dizem defender a governabilidade de Lessa. Mesmo com a turbulência que marcou a sessão, o bloco governista indicou todos os líderes dos partidos que dividirão a participação no governo. PSB, PTdoB, PDT, PL, PMN e PMDB saem na frente das costuras que garantirão espaço político na ALE. O ?bloco da oposição independente?, formado pelo PPS, PSDB, PP e PTB ainda não se manifestou.

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