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Terceiro governo

DIVISÃO DE CARGOS NO GOVERNO: CIENTISTA POLÍTICA DEFENDE REFORMA

Para a professora da Ufal, Luciana Santana, o momento político atual é de diálogo e busca de saídas

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Luciana Santana: “A composição do legislativo não segue a proporção do vencedor”
Luciana Santana: “A composição do legislativo não segue a proporção do vencedor” -

O Brasil do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um país inchado de legendas. São 31 registradas, sendo 19 com cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Somente a aliança que elegeu o petista conta com 14 legendas. Todas têm ou querem espaço no Executivo.

Ou seja, para governar, Lula teve que acomodar quem marchou com ele desde o início, quem chegou no 2° turno, as legendas que estiveram na oposição e integram o centrão. Tudo para garantir a governabilidade.

O problema, porém, é que existem partidos demais para cargos de menos, mesmo depois que Lula desmembrou ministérios para dar origem a outros. A solução é distribuir quem quer e aceita pelos cargos de 2° e 3° escalões.

A questão é tão séria que coube ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) antecipar que o governo defende uma reforma partidária. Como o nome sugere, é para consertar algo. No caso, reduzir o número de legendas. E em política isso só é possível com fusões, já que ninguém vai “sumir” de uma hora para outra.

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No momento, pelo menos duas estão em fase de concretização. O processo mais adiantado envolve o PTB e o Patriotas. Tanto que até meados do segundo semestre deve ser anunciada para ser uma realidade do próximo pleito do ano que vem.

A outra envolve o partido do próprio Alckmin, o PSB, que pode se fundir ao PDT. Esta fusão, por sua vez, está na fase do “namoro”. Porém, para garantir a sobrevivência de ambos ,não deve tardar para avançar nas discussões.

Fatos com essa relevância devem também ter desdobramentos nos estados. Mas deixando de lado as pendengas e brigas locais, vindo de cima sobra muito pouco espaço para contestação das bases.

Aqui em Alagoas, por exemplo, se o PSB se Juntar ao PDT, estamos falando da junção de Paula Dantas e do vice-governador Ronaldo Lessa. Ambos são da base do governo hereditária e politicamente. Então, às chances de haver imbróglio é zero.

Procurados para analisarem esta nova perspectiva criada pelo governo, as lideranças preferiram aguardar. Mas concordam que o volume de partidos, a quantidade de acordos firmados, as cotas pessoais, aquelas de origem políticas, as que surgem por bancada, segmentos sociais, entre outras, uma hora acabam tomando muito tempo do governo para construir a necessária governabilidade.

Para a cientista política e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luciana Santana, o momento é de diálogo e busca de saídas. E elas têm que passar pela política, leia-se os partidos. Para ela, porém, as fusões não devem ser a principal dinâmica no momento. “Até pelo processo de acomodação de interesses neste primeiro ano de governo”, diz.

“E isso é comum que aconteça nos governos multipartidários com representação no Legislativo, mesmo com a redução do número de partidos, por conta do fim das coligações e a chegada das federações. A composição do legislativo não segue a proporção do vencedor. Ou seja, tivemos ali na Câmara o número de parlamentares ligados ao candidato perdedor”, analisou Luciana.

A cientista lembra que os partidos do centrão que não possuem muito pragmatismo tendem a sempre querer estar dentro do governo. E por uma questão simples: chegar até suas bases.

“Essa necessidade se dá de várias maneiras, que é ter acesso a recursos para atender as bases. E isso olhando para o ano que vem, que será um ano eleitoral. Então é neste contexto que nasce a necessidade da reforma política, que acho que tem que acontecer para atrair outros partidos para a base, para que efetivamente se comportem como governo”, observou Luciana.

A lógica para isso, porém, não irá deixar o governo de fora do que os partidos gostam e precisam como “moeda de troca”, que são os cargos. Em especial porque por cima, nos ministérios, não há tanto espaço porque estão ocupados. O que não quer dizer que algum ministros tenham que ser removidos. Por outro lado não será na proporção e do jeito que querem os “neoaliados”.

E Lula já deu o recado que não são os convidados que dizem onde querem sentar na festa e sim, o dono dela - o governo - quem acomoda quem vai chegar. Sendo assim, cortou a sanha de quem sonhava com os ministérios da Saúde, Educação, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social.

A dinâmica, porém, em sua avaliação. não deve colocar a reforma política tendo como foco a fusão de partidos, mas sim no que sempre houve que é acomodação. “Já há menos partidos com o fim das coligações e as federações atuam como um bloco. Isso é um outro espaço de mudança que aconteceu. Não que isso passa por fusões, mas sim por distribuição de cargos. Em relação ao fisiologismo das legendas, em eventuais fusões, não sei se provoque problemas, já que o União Brasil -PSL/Democratas, que se juntaram e não houve maiores problemas”, lembrou.

Sobre atritos, divergências, desencontros eles marcaram os outros governos do PT, mesmo os que tiveram Lula como figura central. Isto porque é sempre mais difícil para qualquer governo coordenar alianças mais heterogêneas. Com partidos de diferentes espectros ideológicos.

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