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Lira diz que há diálogo com Paulo e que os dois têm obrigação de traba

Em entrevista ao Jornal da Mix, presidente da Câmara aponta problemas que precisam ser superados pelo governo Lula

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Arthur Lira dá entrevista no Jornal da Mix e fala sobre relação com o governador Paulo Dantas e o governo do presidente Lula
Arthur Lira dá entrevista no Jornal da Mix e fala sobre relação com o governador Paulo Dantas e o governo do presidente Lula -

Em entrevista concedida ontem pela manhã ao Jornal da MIX, da Rádio MIX 98,3 FM, o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP), falou sobre sua relação com o governador Paulo Dantas, afirmando haver diálogo, embora não permanente entre os dois, e reconhecendo que ambos têm obrigação de trabalhar juntos por Alagoas. Sobre o governo do presidente Lula, apontou os problemas enfrentados por ele na relação com o Congresso Nacional e criticou o ministério, que chamou de desequilibrado, com acomodação partidária e institucional em disparidade. Apesar disso, destacou o seu esforço e da Câmara para aprovar projetos de interesse do Brasil, lembrando a aprovação histórica da reforma tributária e o PL das Fake News, que deve retornar à pauta nesta semana.

O presidente da Câmara reforçou na entrevista que na relação com o governo Paulo Dantas prevalecem os interesses coletivos. “Não há diálogo permanente acerca dos problemas daqui. Alinhamento político não temos, mas há uma obrigação de trabalharmos juntos pelo Estado. As eleições passaram e continuo com o meu trabalho pelo desenvolvimento de Alagoas, e isso se reflete nas conquistas que temos alcançado”, ressaltou.

Ele citou, como exemplo, os R$ 260 milhões que serão destinados aos hospitais novos e filantrópicos de Alagoas, fruto do credenciamento junto à União. A intermediação dele, em Brasília, foi fundamental para que a pauta estadual avançasse no Ministério da Saúde. Também foi anunciado o envio de 140 equipamentos agrícolas para entidades comunitárias do Estado, por meio de incentivos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (Codevasf).

Sobre Lula, Lira disse que o atual governo federal, como todos que são eleitos sem a maioria no Parlamento, sofre com a aprovação das pautas ideológicas. Neste ponto, alertou que o presidente e sua equipe não têm base sólida e precisam ter paciência e equilíbrio para discutir os temas.

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“Vivemos, hoje, uma situação difícil no Brasil, com um governo presidencialista e uma constituição parlamentarista. Quando foi eleito, esse governo só tinha 130 deputados na base, mesmo assim não deixamos de votar matérias para o País avançar, como a PEC da Transição, o arcabouço fiscal e a reforma tributária”, destacou.

O presidente da Câmara afirmou que mantém a agenda semanal de três reuniões com os líderes para discutir todas as matérias que serão levadas ao plenário. Só assim tem conseguido dialogar com as divergências internas e externas. Apesar desta atitude, avisou que o governo Lula possui um ministério desequilibrado, com acomodação partidária e institucional em disparidade.

Ele divulgou que tinha uma reunião agendada, na noite desta segunda-feira (7), com as principais redes de comunicação e com representantes da classe artística para tratar sobre a recomposição da remuneração das notícias jornalísticas e o pagamento dos direitos autorais pelas big techs. Este é um dos imbróglios do PL das Fake News, que retoma as discussões esta semana na Câmara.

“A ideia é fatiar o projeto e retirar a discussão financeira, que foi o principal problema. Nunca passou pela nossa cabeça aprovar uma matéria que permita a censura. O PL virou um objeto de discussão ideológica e política, mas estamos aparando as arestas para incluirmos um regramento às redes sociais”, disse

Ele também se referiu à aprovação da reforma tributária como um marco ao País desde a redemocratização. O tema era um tabu, mas avançou no Congresso Nacional. “O Brasil vivia um manicômio tributário e, agora, com as novas regras, vai atender, sobretudo, às camadas mais sofridas da sociedade”, frisou.

MAIS CASAS

Voltando a falar sobre Alagoas, Lira defendeu um aumento do quantitativo previsto de unidades habitacionais para Alagoas do novo programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, as três mil casas estimadas passam longe da resolução do deficit habitacional do Estado, que aqui afeta 100 mil famílias.

“Foi divulgado este número (3 mil) de habitações para Alagoas, que não dá para nada. Vou brigar muito, em Brasília, para que o programa contemple o máximo de pessoas possível no Estado, que tem um déficit habitacional antigo”, avisou.

DECLARAÇÕES DE ZEMA

O parlamentar também comentou sobre a fala do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) defendendo a criação de um consórcio formado pelos estados do Sul e Sudeste para barrar propostas no Congresso Nacional que possam causar perdas econômicas para as duas regiões. Ele disse conhecer Zema, acreditando que ele não teria o perfil de confrontar com o Norte e Nordeste, mas classificou a declaração como infeliz.

“O governador do Rio Grande do Sul já disse que não acreditava que o Consórcio Nordeste tenha sido criado para ir de encontro às outras regiões. Nesse cenário da reforma tributária, as questões se igualam no Senado. Na Câmara, São Paulo tem setenta deputados e Alagoas tem nove. No Senado, são três a três. Quando soma todos os senadores do Nordeste mais os do Norte já são 48 senadores de 81. Mas, neste âmbito da reforma tributária, trabalhamos para acabar com a guerra fiscal, com a competição e a luta desigual pelos recursos”, ressaltou.

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