Política
Renan anuncia corte e evita tratar de aumento salarial
Brasília - Enquanto a Câmara dos Deputados discute e parlamentares recolhem assinaturas para garantir um aumento salarial, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anuncia um corte de R$ 10 milhões para este ano nas despesas da Casa. O número de máquinas de fotocópia, a cota de papel dos senadores, as ligações de telefones fixos para celulares e os gastos com Correios serão reduzidos. ?Vamos priorizar as atividades fins do Senado?, anunciou Calheiros. ?O gasto público está colocado na ordem do dia. Se não quisermos que a carga tributária cresça, temos de cortar gastos?, acrescentou. O orçamento aprovado para o Senado, este ano, prevê gastos de R$ 2,4 bilhões. Os recursos, se economizados, voltam para os cofres da União. Câmara Ao mesmo tempo em que anuncia o corte de despesas, Calheiros se vê confrontado com o aumento de salários na Câmara. Sem o apoio dos senadores, o aumento salarial não passa. Portanto, uma decisão do presidente do Senado pode minar a tentativa de elevar o salário dos congressistas de R$ 12,8 mil para até R$ 21,5 mil ainda este ano, caso projeto que aumenta o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STJ) seja aprovado. ?Esse assunto não está no Senado. Ele não vai ser tratado porque não é urgente. Há outras prioridades?, afirmou Calheiros. Pouco antes, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), manteve sua defesa ao reajuste salarial, acusou os partidos contrários de demagogia e afirmou que todos os deputados querem aumento de rendimentos. Até o momento, o PSDB, PT e PPS já se manifestaram contrários ao aumento proposto pelo novo presidente da Câmara. A decisão do PSDB foi tomada durante reunião da Executiva Nacional do partido, realizada quarta-feira, em Brasília. O PT e o PPS fecharam questão contra o aumento durante reunião de suas bancadas. ?Isso é um problema desses partidos que estão fazendo apenas demagogia. Eles estão doidos por esse aumento?, declarou Severino. O presidente da Câmara disse, ainda, que não está com medo do desgaste que a polêmica em torno do aumento dos salários dos deputados está causando.