Política
AGRICULTORES COMEMORAM MELHOR QUADRA CHUVOSA DA DÉCADA EM AL
Por causa da regularidade das chuvas desde o ano passado, rios e açudes têm água em abundância
As regiões mais áridas do Sertão e Agreste alagoano apresentam um cenário verde como não se via fazia uma década. A quadra chuvosa favorável modificou também rios que tradicionalmente permanecem secos como o Ipanema e Dois Riachos, ambos estão com água corrente. As barragens e os açudes sangram e deixam as terras encharcadas. “Chove regularmente desde o ano passado. Nas regiões mais altas do semiárido, tem sereno e as noites são frias”, comemoram os prefeitos, os secretários municipais de agricultura, agricultores familiares, as coordenações estadual e municipais de Defesa Civil.
Soma-se a essa situação favorável patrocinada pela natureza o Canal do Sertão, com mais de 32 metros cúbicos por segundo captado no braço do rio São Francisco no Vale do Moxotó, no município de Delmiro Gouveia, e que atende a população e 2 mil agricultores familiares. A água corre em abundância por mais de 120 quilômetros de canal, serpenteando até o município de Senador Rui Palmeira, também uma região árida do Sertão.
O deputado sertanejo Inácio de Loyola (MDB) disse que hoje o Sertão tem água suficiente para promover o desenvolvimento sustentável. Segundo ele, independentemente das condições climáticas, de um lado tem o rio São Francisco e do outro o Canal do Sertão. “Dos 32 metros cúbicos por segundo do canal, bastava utilizar apenas um terço para matar a sede de 3 milhões de pessoas, ou seja, da população toda do Estado. Independentemente do clima, o Sertão precisa de políticas para agricultura, porque água tem”, diz o deputado.
Para tranquilizar os 38 municípios do semiárido que costumam decretar situação de emergência por causa das longas estiagens, o governador Paulo Dantas (MDB) diz que as obras do canal não param. Já tem mais de 120 quilômetros de canal com água que atende agricultores familiares e a população urbana da região, a obra avança no trecho cinco e foi incluída no programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (PAC 3). O projeto total prevê a construção de 250 quilômetros de canal, até o município de Arapiraca, lembra Dantas.
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“O Sertão de Alagoas não virou mar, mas está com água em abundância. Chove bem desde o ano passado e desde abril passado registramos chuvas acima da média em todo o Estado”, disse o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Moisés Melo. Porém, ainda não será dessa vez que os caminhões-pipa serão aposentados. O coronel Moisés adiantou que mais de 150 caminhões fretados pelo Exército continuam levando água potável para as zonas rurais dos municípios do sertão e agreste. “Água para o consumo animal e manutenção das lavouras tem”.
A partir desta semana, a Coordenação de Defesa Civil cobra das coordenações municipais de 40 municípios do semiárido relatório descrevendo a situação hídrica dos reservatórios, barragens, açudes e inicia nova fase de vistoria e orientação da população para a manutenção das cisternas. “A maioria das cisternas está cheia. Vamos orientar a população a manter o tratamento e preservar a água, porque o El Niño promete ser um dos mais quentes dos últimos 50 anos”.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos também confirma as condições climáticas favoráveis. “A quadra chuvosa permitiu encher os açudes, as barragens, as cisternas e outros reservatórios”, disse Gino César. Com relação à utilização de carros pipas, o secretário explica que não é possível dispensá-los no momento porque, na maioria dos casos, a água de açude ou de barragem não é recomendada para o consumo humano. “A nossa reserva hídrica está em nível confortável em todo o Estado”.
A Semarh hoje monitora a evolução climática e repassa rotineiramente informes meteorológicos para a Defesa Civil, Exército, prefeituras, sindicatos rurais e associações. “Todos recebem relatórios diários da evolução da quadra chuvosa, estiagem, ventos para que os gestores possam traçar medidas preventivas”, frisou Gino César.
SAFRA
Essa semana choveu regularmente no Sertão e em quantidade que melhorou a produção rural e não atrapalhou a colheita da supersafra de milho e feijão. Os agricultores familiares também comemoram. Seu José dos Santos, 58 anos, da comunidade “Mata Burro”, que fica entre Santana do Ipanema e Dois Riachos, passa parte dos dias colhendo milho e feijão na roça. Ele plantou uma tarefa e meia de feijão (cada tarefa tem mais de 3 mil metros quadrados).
No ano passado também choveu satisfatoriamente. Ele colheu quatro sacas de 50 quilos de feijão carioquinha tipo 1 (o de melhor qualidade) este ano, as condições climáticas favoreceram ainda mais as lavouras dele e vai colher mais que o dobro dos grãos. “Este ano vai ter comida e dinheiro no verão. O tempo ajudou muito”. O açude de seu José transbordou pela primeira vez em seis anos.
No município de Dois Riachos, terra da “Rainha Marta” de futebol, a quadra chuvosa favoreceu as lavouras tradicionais e a pecuária. O rio que dá nome ao município está com água correndo e isso é uma novidade por lá. Os açudes e barragens da região estão cheios. Não vai faltar água para as lavouras e para os animais, disse o secretário municipal de Agricultura, Cláudio Pereira. As lavouras tradicionais superaram as previsões de safra. A de milho, por exemplo, vai superar as 50 mil sacas.
Esse resultado é mais que o dobro da colheita do ano passado. “A agricultura familiar também vai chegar muito forte. Os agricultores receberam 5 toneladas de sementes de milho e feijão. A colheita de grãos vai superar as 30 mil sacas”, calcula o secretário de Agricultura de Dois Riachos.
CRESCIMENTO
Os números oficiais confirmam que as condições climáticas favoreceram o semiárido. De acordo com o Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta primeira quinzena de agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento, estima-se um crescimento de 120,9% na produção em Alagoas para a safra 2022/23, em relação ao ano anterior. Essa projeção de alta é a maior do País. Com o crescimento, a produção de grãos deve saltar de 80,4 mil toneladas para 177,6 mil toneladas.
O destaque é a 3ª safra de milho, que aumentou a lavoura de 40,2 mil hectares para 58,1 mil hectares. Com uma área maior, cresceu também a projeção de produção do produto, passando de 53,1 mil toneladas de milho para 130,7 mil toneladas. A produção de soja também deve aumentar de 6,2 mil toneladas para 14,3 mil toneladas.