Política
Afastado do governo, PSDB d� sinais de insatisfa��o e volta a falar em oposi��o
ODILON RIOS Pela primeira vez após a saída do secretário estadual de Saúde, o tucano Álvaro Machado, o PSDB dá sinais de insatisfação, podendo se transformar no mais novo inimigo político do governador Ronaldo Lessa (PDT). Ontem, o deputado federal Helenildo Ribeiro (PSDB), membro da executiva estadual do partido, defendeu o rompimento com Lessa. Ele disse que no governo estadual ?nada funciona? e criticou ?o exagerado número de secretarias da máquina pública?: ?São 39 para secretários para um governo sem rumo?, disse. ?Eu acho difícil um acordo para 2006. O governador foi muito ingrato com o PSDB?, desabafou o deputado. O senador Téo Vilela, que ontem fazia exercícios físicos em uma academia da capital, foi contatado pela GAZETA por telefone e procurou não polemizar com o governador. ?O Helenildo falou como deputado, até porque não temos posição oficial sobre se devemos ficar na oposição em relação ao governo estadual?, disse. ?Desde a saída do Álvaro, há um distanciamento político entre o governador e o partido?, afirmou Vilela, evitando endossar as declarações de Helenildo Ribeiro sobre o rumo do governo e o ?número exagerado de secretarias?. Embora comedido, o tucano não mediu palavras quando falou da passagem de prefeitos do PSDB para o PDT. ?O governador está mal assessorado. É uma burrice política?, alertou. Entre os prefeitos do PSDB que devem migrar para o PDT, a Coordenação Política do Palácio Floriano Peixoto anuncia Reginaldo Matias da Silva, de São Brás, e Alfredo Moraes Brandão Filho, de Cacimbinhas, sendo que este último ainda vai conversar com o PSDB. Em Alagoas, os tucanos têm 14 prefeituras. O secretário regional do PSDB, Claudionor Araújo, também evitou polemizar sobre as declarações do deputado federal. ?O Helenildo tem responsabilidade nas suas palavras. Mas, hoje, estamos distanciados do governo estadual?, lembrou. Segundo Claudionor, o partido decidirá se faz ou não oposição ao governo na segunda quinzena deste mês, quando receberá, em Maceió, a visita do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. A proposta do partido é apoiar o senador Renan Calheiros ao governo estadual. ?Se Renan não for candidato, lançamos Téo ao governo e alguém para o Senado, para concorrer com o governador [Ronaldo Lessa]?, disse o secretário regional do PSDB. O governador em exercício Luis Abílio de Sousa respondeu às declarações do deputado federal Helenildo Ribeiro de forma diplomática. ?Acho que o deputado Helenildo está mal informado quando fala em governo sem rumo. Fizemos a reforma fiscal, colocamos mais crianças nas escolas. Se ele comparar com o passado, vai ver que melhorou?, ponderou o vice. ?Se ele acha que porque o PSDB saiu do governo ele está sem rumo, está redondamente enganado?, argumentou. A crise entre Lessa e Téo começou ano passado, quando os dois lançaram candidatos distintos à prefeitura da capital. Com a derrota do candidato da aliança PMDB-PSDB, José Wanderley, tucanos e pemedebistas declararam neutralidade no segundo turno, estremecendo ainda mais as relações com o governador, já que se esperava que os senadores apoiassem o governista Alberto Sextafeira (PSB).