Política
Sindicatos temem reforma sindical enviada pelo governo ao Congresso
O anteprojeto de lei de reforma sindical, a ser entregue oficialmente amanhã ao presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), está sendo encarado por representantes de trabalhadores de Alagoas como ?traição? do governo Lula e um ?golpe contra a democracia?. ?É uma traição de um homem que já foi um trabalhador e assumiu a Presidência da República. Queremos debater o texto com a sociedade?, disse o presidente da Força Sindical de Alagoas, Albergemar Cassimiro. Segundo ele, três centrais sindicais do Estado (Social Democracia Sindical, Força Sindical e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, representação Alagoas) vão realizar um debate nos dias 21 e 22 de março, às 15 horas, no Palácio do Trabalhador, situado no Centro da cidade, para esmiuçar a proposta do governo federal quanto à reforma sindical. ?Do jeito que a reforma está, ela acaba privilegiando os maiores sindicatos do país. Os menores serão controlados pelos empregadores?, avaliou Cassimiro. ?A reforma está sendo debatida entre as centrais. Não queremos isso. Os sindicatos estão fora da discussão?, acusou o presidente da Força Sindical. A Central Geral dos Trabalhadores do Brasil e a Social Democracia Sindical, ambas de Alagoas, também são contrárias à reforma. Entre as desvantagens da reforma, segundo as três centrais, está a criação de mais de um sindicato para uma mesma categoria (o que enfraqueceria o processo de discussão, na opinião das centrais), o dissídio coletivo (na opinião dos representantes, acaba privilegiando o empregador na hora do acordo, ao invés do empregado) e a representatividade dos sindicalistas (de acordo com os sindicatos contrários à reforma, estaria em 20% de associados à categoria) e a data-base para a negociação. ?Do jeito que está, os pequenos sindicatos vão deixar de existir, como os sindicatos dos trabalhadores rurais, que já têm pouca força na hora de negociar, imagine quando a reforma for aprovada?, afirmou o diretor financeiro do Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social e Formação Profissionalizante do Estado de Alagoas, Paulo Guedes. Além disso, a reforma mexe também nas regras do direito de greve, ou seja, a Justiça do Trabalho não julgaria mais a greve (se seria ou não legal). Na regra atual, quando não existe possibilidade de acordo entre empregados e empregadores, a Justiça do Trabalho é acionada para definir as regras do acordo . A proposta de reforma foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada e será entregue oficialmente amanhã, ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, quando começa a ser definida a data para a votação em plenário. (OR)