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Setor produtivo se manifesta contra “ronald�zio” na Alg�s

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LUIZA BARREIROS A informação de que o atual presidente da Alagoas Gás S.A (Algás), engenheiro Gérson Fonseca, poderá ser substituído no cargo pelo ex-secretário de Trabalho, Corintho Campelo da Paz, causou reação entre os representantes do setor produtivo do Estado. A mudança seria feita para acomodar interesses do PDT, atual partido do governador Ronaldo Lessa, que na semana passada, em mais um ?ronaldízio?, indicou para a Secretaria de Turismo Eugênio Sampaio, filho do presidente do partido, Geraldo Sampaio. Em carta encaminhada ao governador Ronaldo Lessa, o setor pediu a permanência de Gérson Fonseca à frente da Álgás, em reconhecimento ao ?excelente trabalho? desenvolvido por ele na empresa. A classe empresarial também destacou no documento ?a impecável conduta? de Fonseca no desempenho do cargo, exaltando a ?competência e cordialidade? no trato com as empresas no Estado. A carta é assinada pelos presidentes das federações da Indústria, José Carlos Lyra de Andrade; da Agricultura e Pecuária, Álvaro Arthur Lopes de Almeida; do Comércio, Canuto Medeiros, e das Câmaras de Dirigentes Lojistas, Roberval Cabral, além do presidente da Associação Comercial de Maceió, Sérgio Papini. Segundo Papini, o setor tomou a iniciativa de brigar pela permanência de Fonseca na Algás depois do surgimento de rumores de que grupos políticos estariam negociando com o governo a indicação de um novo presidente. ?Como sabemos que o Gérson Fonseca é um técnico com competência gerencial e não tem nenhuma ligação com partidos políticos, decidimos não deixá-lo órfão e nos unimos para lutar por sua permanência?, explicou Papini. Sérgio Papini fez questão de deixar claro que o grupo não considera Gérson Fonseca insubstituível. ?Ele plantou e implantou um sistema gerencial diferenciado na empresa, que poderá ter continuidade?, disse. ?O que nos causa preocupação é que pessoas ligadas a políticos tenham interesse de usar a empresa para fazer política?, complementou. Até ontem, segundo Sérgio Papini, o governador Ronaldo Lessa não havia dado resposta ao pleito do setor produtivo. ?Esperamos que o bom senso prevaleça?, disse. Ontem, o secretário estadual de Comunicação, Joaldo Cavalcante, disse que não havia nenhuma informação oficial do governo a respeito da substituição na Algás. Alagoas possui uma das maiores reservas de gás do Brasil, representando mais de 10% do gás nacional. Para explorar o produto, a Algás foi fundada em 1992 como empresa de economia mista. Seus acionistas são o Estado de Alagoas com 17%, a Petrobras com 41,5% e a Gaspart com 41,5%. Corintho Campelo ocupou a presidência da Algás entre 1999 e 2000, no primeiro governo de Ronaldo Lessa. Técnicos ouvidos ontem pela GAZETA qualificaram sua gestão como ?não muito feliz?. Na época da gestão de Campelo, a Algás não tinha a dimensão que tem hoje. Só o volume de recursos aplicados em expansão de rede e novos negócios cresceu de R$ 2,2 milhões, em 2001, para R$ 4,7 milhões em 2004. A previsão de investimentos para 2005 é de R$ 9 milhões. O número de clientes também cresceu de menos de 60 (450 unidades consumidoras) para 370 (4.800 unidades) em 2004, com um projeção de 900 (mais de 10 mil unidades consumidoras) em 2005. O lucro em 2004 foi de R$ 5 milhões. ?Numa empresa do porte da Algás, é muito importante que os titulares designados tenham um perfil de credibilidade, principalmente depois que o mercado passou a reconhecê-la por seu caráter técnico?, comentou ontem um técnico da Algás. Ontem, a GAZETA tentou ouvir Corintho Campelo, mas seu celular estava desligado. Foi deixado recado em sua caixa postal, mas até o fechamento desta edição ele não havia retornado. Em outras oportunidades, ao ser ouvido pela GAZETA sobre a possibilidade de voltar a ocupar a presidência da Algás, Campelo desconversou.

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