Política
Lessa fica fora da chapa que eleger� nova dire��o do PDT
ODILON RIOS O governador Ronaldo Lessa não deve participar da chapa que vai eleger a nova diretoria da Executiva Nacional do PDT, no próximo dia 21. A informação foi dada ontem pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi. Segundo Lupi, a executiva se reuniu ontem pela manhã, no Rio de Janeiro, e chegou a um acordo: a chapa que disputará a eleição terá como cabeça o atual presidente. ?A chapa é de consenso?, resumiu o presidente do PDT, sem falar os nomes que estariam nela, mas descartando a presença alagoana. Lessa saiu do PSB por ter sido colocado no escanteio pelo presidente do partido, deputado federal Miguel Arraes (PE), após tentar tomar-lhe o cargo. Já o presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, tem um discurso diferente. Por meio da sua assessoria, ele diz que nomes de Alagoas devem participar da disputa nacional, mas não adianta quem são. Antes mesmo da filiação de Lessa ao PDT, nos bastidores dizia-se que o governador alagoano ocuparia um cargo nacional de destaque no partido. O espaço do governador deve se restringir à condição de membro do Diretório Nacional. O novo diretório do partido será composto por 200 membros titulares e 70 membros suplentes. Desde que o governador alagoano se filiou ao PDT, no dia 10 de fevereiro, o mapa astral do partido em Alagoas não tem sido positivo. A tão divulgada festa de filiação da sigla já foi desmarcada três vezes em menos de um mês. O sonho do governador Ronaldo Lessa de aproximar o PDT da base aliada do governo Lula continua no discurso e a presença dele na direção nacional da legenda, anunciada nos corredores do Palácio Floriano Peixoto, parece estar cada vez mais distante. Lessa está afastado de suas atividades desde que se filiou ao PDT por causa de uma infecção nas vias respiratórias Além do cargo de destaque na Executiva Nacional, divulgou-se que governador alagoano atuaria no PDT tentando aproximar a direção nacional do governo Lula, afastada desde o primeiro ano do petista na Presidência da República. Para alguns membros da legenda, esse sonho está longe de virar realidade. ?Quando o governador esteve em Brasília, depois de se filiar ao PDT, ele disse-me que não faria da reaproximação do PDT com o governo um cavalo de batalha. Ele me disse que teria a posição dele e respeitaria o ponto de vista do PDT?, avaliou o senador Jefferson Péres (AM), ontem, por telefone. Péres era líder da sigla no Senado, até o final de janeiro, quando foi substituído pelo senador Osmar Dias (PR). Péres é um dos pedetistas que seguem à risca a cartilha do presidente de honra do partido, Leonel Brizola, morto ano passado. Brizola não só defendia o rompimento do partido com o governo Lula, como antes de morrer sustentava que o país não enfrentaria mudanças, caso o presidente continuasse a adotar a estratégia política de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No começo do ano, quando soube da ida de Lessa para o PDT, Péres chegou a avisar ao governador da condição atual da legenda, que não participaria do governo federal enquanto Lula mantivesse a política econômica. ?Não há porque nos aproximarmos do governo federal, salvo se existisse alguma mudança. Aceitamos conversar, mas sem adesão?, avisou o ex-líder, por telefone, à GAZETA, enviando um recado: ?Somos de esquerda [o PDT] porque não usamos o governo para nós mesmos, não temos a visão atrasada da direita?. O líder do PDT na Câmara, Severiano Alves, é mais categórico: ?Não há expectativa de a Executiva Nacional integrar a base de apoio do governo federal?. Segundo Alves, durante a filiação ao PDT, Lessa concordou em respeitar a posição do partido. ?Não existe atualmente nenhuma conversa neste sentido, não há pressão de governadores, nem de prefeitos, nem de vereadores?, listou.