Política
Entidades cobram investiga��o contra o prefeito de Marechal
ODILON RIOS Entidades civis organizadas de Marechal Deodoro estiveram ontem no Ministério Público (MP) de Alagoas cobrando agilidade no andamento dos processos que apuram supostas irregularidades na administração do prefeito Danilo Dâmaso (PMDB). As denúncias foram feitas no ano passado, durante a primeira gestão do prefeito reeleito, e incluem desvios de recursos, ameaças de morte e perseguição a funcionários municipais. Os representantes das entidades mostraram ao procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, gravações com o prefeito ameaçando pessoas da cidade. Em uma delas, a voz atribuída a Dâmaso gritava: ?Tenha vergonha, seu f.dap.! Eu tenho que lhe pegar para lhe dar uns croques!?. ?A gravação serve como prova?, analisou o procurador-geral, Coaracy Fonseca, afirmando que a fita deve ser entregue à Polícia Federal para saber se a voz pertence ou não a Dâmaso. Segundo o procurador-geral de Justiça, até o final do mês o MPE estará concluindo um relatório sobre a administração de Dâmaso e enviando o resultado ao Tribunal de Justiça (TJ) de Alagoas. ?Mas não posso dar detalhes sobre o assunto, por questões éticas?, disse Fonseca. Todavia, adiantou: ?As provas que temos são robustas?. As entidades também entregaram um manifesto acusando o prefeito de fazer parte de uma ?quadrilha? que durante as eleições utilizou ?compra de votos? e ?intimidação?. ?Tudo isso com o uso dos recursos da Prefeitura em benefício do prefeito e seus apadrinhados?, acusaram as entidades, que também distribuíram o manifesto à imprensa. Outra acusação feita pelas entidades é quanto ao poder policial da cidade, que estaria nas mãos de um homem conhecido como ?major Luciano?, casado com uma das filhas do prefeito. ?Se isso estiver acontecendo, é grave?, resumiu o deputado petista Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, que marcou a audiência das entidades com o procurador geral. Até uma organização não-governamental (ONG) foi criada, em novembro do ano passado, especialmente para apurar os supostos desmandos na administração do prefeito de Marechal Deodoro. Chama-se Fórum Deodorense pela Ética na Política e pela Moralidade Administrativa. Além da sociedade civil organizada, o fórum é composto por sete partidos políticos (PT, PSC, Prona, PSL, PTB, PHS, PMN, PRP) e ex-vereadores de Marechal. Ouvido pela GAZETA, o ex-procurador-geral de Justiça, Dilmar Camerino, garantiu ter solicitado ao Tribunal de Justiça uma auditoria nas contas de Marechal Deodoro e o afastamento do prefeito. No TJ, existem seis processos contra Dâmaso, mas, segundo apurou a GAZETA, dois deles são cruciais ao futuro político do prefeito: uma ação civil pública e uma ação penal originária. Esta última pode pedir a prisão do prefeito de Marechal Deodoro. O relator da ação civil pública é o desembargador José Fernando Lima Souza (Fernando Tourinho), mas, na próxima segunda-feira terá um juiz convocado para o caso: Paulo Zacarias. Tourinho entrará de férias esta semana. O desembargador José Fernandes de Hollanda Ferreira assumiu a ação penal contra Dâmaso, mas sua assessoria informou que não existe prazo para que o processo seja julgado pelo pleno do Tribunal. /// ?Esse povo tem é inveja? O prefeito de Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso (PMDB), disse que as acusações contra ele fazem parte de uma ?estratégia da oposição para derrubá-lo? e alegou que ?desconhece? as ameaças de morte que teria feito a funcionários da Prefeitura ou moradores de Marechal. ?É um bocado de ?cabra de peia? sem prestígio?, resumiu, por telefone, à GAZETA. ?Fui preso em 3 de outubro porque em toda eleição eu esculhambo mesmo tanto a polícia quanto a Justiça?, disse o prefeito. ?Estou sendo perseguido pela Justiça há dez anos?, disse, sem, contudo, dar nomes aos supostos perseguidores. ?Já fui ameaçado de morte por eles [membros de entidades organizadas] mas não tenho medo. Trabalho das oito da manhã até às sete da noite e fiscalizo as obras da cidade. O rolo é que eu trabalho?, argumentou, cobrando um debate na cidade. Sobre o major Luciano, que estaria perseguindo pessoas que seriam contrárias ao prefeito, Dâmaso negou. ?Ele mora na Praia do Francês. É casado com uma das minhas filhas e não faz nada aqui?. Sobre as gravações, onde ele estaria ameaçando servidores e funcionários, o prefeito também negou. ?Esse povo tem é inveja da minha pessoa. Eles sabem que eu quero eleger a minha filha em meu lugar, por isso me perseguem?, afirmou, referindo-se a Danielli Medeiros Dâmaso de Almeida (PMDB), hoje vice-prefeita de Marechal. Controverso Danilo Dâmaso, 61 anos, foi deputado estadual e é prefeito de Marechal Deodoro pela quarta vez. Foi reeleito ano passado com 9.980 votos, depois de disputar o cargo com dois candidatos. Declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter gasto R$ 300 mil nas eleições. Danilo Dâmaso foi preso em 3 de outubro por crime de desobediência ao juiz eleitoral e responde a um processo movido pelo Ministério Público no Tribunal de Justiça por improbidade administrativa. Ele é acusado de desvio de R$ 27 milhões, incluindo recursos federais, e de ter disponibilizado materiais de construção e caçambas do município para seus parentes construírem mansões. Em relatório enviado no ano passado ao MP, a promotora de Marechal Deodoro, Maria Aparecida de Gouveia Carnaúba, concluiu: ?O exame da auditoria nos leva ao êxtase ante a maneira como é manuseada a coisa pública, onde as aquisições de bens e serviços, doações, liberações de materiais, pagamentos de ajuda de custo, compra de passagens e de materiais supérfluos, acontecem como se a prefeitura fosse propriedade particular do prefeito, que pratica os atos de maneira totalmente irresponsável, sem nenhum respeito a qualquer preceito legal?. (OR)