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Política

NA ONU, LULA COBRA AÇÃO DOS RICOS E CRITICA CONSELHO DE SEGURANÇA

Presidente falou sobre superação da fome e desigualdade, promoção da paz, reversão das mudanças climáticas e reforma de instituições

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O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a Assembleia-Geral das Nações Unidas ontem com um discurso de 21 minutos focado em desigualdade e com o retorno da demanda histórica do Itamaraty de uma reforma no Conselho de Segurança, com críticas incisivas à dinâmica atual do sistema internacional.

O petista voltou ao principal palco global após mais de dez anos repetindo temas centrais de suas primeiras participações no fórum --o combate à desigualdade e à fome, a defesa do diálogo para alcançar a paz e o apelo por maior representatividade do Sul Global.

Lula começou prestando homenagem ao diplomata Sérgio Vieira de Mello, morto em Badgá (Iraque) há 20 anos. Também prestou condolências às vítimas do terremoto no Marrocos e das tempestades na Líbia e no Rio Grande do Sul para, em seguida, falar sobre a crise climática e a desigualdade, um dos temas centrais de seu discurso.

“Hoje, ela [a crise climática] bate às nossas portas, destrói nossas casas, nossas cidades, nossos países, mata e impõe perdas e sofrimentos a nossos irmãos, sobretudo os mais pobres”, disse.

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Ele relembrou que, há 20 anos, a fome foi um tema central de seu discurso e que a pertinência do tema não mudou. “O mundo está cada vez mais desigual.”

“É preciso, antes de tudo, vencer a resignação que nos faz aceitar tamanha injustiça como fenômeno natural. Para vencer a desigualdade, falta vontade política daqueles que governam o mundo”, afirmou.

O Presidente voltou a apontar que os países mais ricos se desenvolveram com base em um modelo poluente, mas que os emergentes não querem repetir essa fórmula. “Agir contra a mudança do clima implica pensar no amanhã e enfrentar desigualdades históricas. Os países ricos cresceram baseados em um modelo com alta taxa de emissão de gases danosos ao clima”, continuou.

Mencionando a matriz energética brasileira, “uma das mais limpas do mundo”, Lula disse que o país retomou ações de fiscalização e combate a crimes ambientais. “O mundo inteiro sempre falou da Amazônia, agora é a Amazônia que está falando por si mesma”, continuou.

REPRESENTAÇÃO DESIGUAL

Um dos alvos da crítica de Lula foi o FMI (Fundo Monetário Internacional). O presidente apontou que a instituição emprestou no ano passado US$ 160 bilhões a países europeus e apenas US$ 34 bilhões para africanos.

O Presidente atacou a representação desigual do fundo e do Banco Mundial, em que países que contribuem com mais recursos têm maior peso de voto. Para Lula, isso é “inaceitável”.

Com a fala, o petista reforça a pressão por uma reforma dessas instituições. A bandeira foi abraçada também pelos Estados Unidos, que veem nelas um instrumento para competir com a China ?o gigante asiático tem usado financiamento a países em desenvolvimento como forma de obter influência sobre eles.

Lula enfatizou a emergência de outros espaços multilaterais para além da ONU, pano de fundo de uma conferência esvaziada neste ano em Nova York.

Lula mais uma vez defendeu o diálogo como ferramenta para alcançar a paz. Antes de citar a Guerra da Ucrânia, ele elencou uma série de outros conflitos, a começar pelo Oriente Médio. “É perturbador ver que persistem antigas disputas não resolvidas e que surgem ou ganham vigor novas ameaças. Bem o demonstra a dificuldade de garantir a criação de um Estado para o povo palestino”, afirmou.

“A guerra na Ucrânia escancara nossa incapacidade coletiva de fazer prevalecer os propósitos e princípios da carta da ONU. Não subestimamos as dificuldades para alcançar a paz. Mas nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo. Tenho reiterado que é preciso trabalhar para criar espaços para negociações. Investe-se muito em armamento e pouco em desenvolvimento”, afirmou.

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