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Ap�s invadir Incra, sem-terra saqueiam Conab

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CARLA SERQUEIRA Cerca de 50 trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Sem Terra (MST) saquearam, por volta das 13 horas de ontem, o armazém da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Bebedouro, Maceió. A direção da Conab não soube precisar a quantidade de alimentos levada pelos integrantes do MST. ?Eles chegaram aqui com um caminhão, em horário de almoço, quando não havia ninguém?, disse o gerente do armazém, Sérgio Albuquerque, acrescentando que um dos líderes do MST chegou a conversar com ele, durante a manhã, cobrando a entrega de cestas básicas. ?Nós só podemos liberar alimentos com autorização do governo federal?, alegou Albuquerque. Segundo ele, ?os manifestantes arrombaram os cadeados, cortaram os fios para impedir a comunicação telefônica e saíram com o caminhão carregado?. A Polícia Federal esteve no local e realizou exame pericial, colhendo as impressões digitais deixadas pelos manifestantes e o depoimento de populares que presenciaram o saque. ?Vamos instaurar inquérito para apurar o crime de dano e furto?, afirmou o delegado Pedro Ribeiro, dizendo que em breve deverá convocar integrantes do MST para depor. Explicação O líder do MST, José Roberto, explicou o saque no armazém da Conab alegando que no acampamento montado na praça Sinimbu, no Centro, ?já está faltando comida?. Após o saque, os manifestantes levaram os alimentos para o acampamento e dividiram os produtos entre as famílias, com base numa listagem que identifica os trabalhadores pelos municípios de origem. ?Tínhamos 180 cestas básicas para receber da Conab. A direção não quis liberar, fomos lá e pegamos?, justificou o líder do MST, José Roberto. O gerente da Conab, Sérgio Albuquerque, reagiu indignado. ?Estes alimentos estocados são para eles mesmos [MST]. Concordo com as reivindicações do movimento, mas tem que haver prudência?, disse, informando que toda alimentação que sai da Conab passa por análises que constatam a qualidade dos produtos. ?O MST só come do bom e do melhor?. Na última quarta-feira, um grupo do MST ameaçou invadir o supermercado Bompreço da Buarque de Macedo e roubar alimentos. Para evitar o saque, a direção do supermercado resolveu doar 100 cestas básicas para o MST. /// Após saques, lideranças fazem exigências ao governador ODILON RIOS Ontem à tarde, após a invasão ao armazém da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no bairro de Bebedouro, lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST) se reuniram com o governador em exercício, Luis Abílio de Sousa (PSB) para exigir o cumprimento de uma pauta com treze itens, incluindo a saída do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Alagoas (Incra), Gino César. A reunião estava prevista para as 16 horas, mas só começou uma hora depois, para impaciência dos cerca de 3 mil sem-terra que acamparam na frente do Palácio Floriano Peixoto, portando faixas descrevendo a situação do Incra, e facões. Pedindo pressa para o começo do encontro com o governador, os sem-terra acabaram transformando o pátio do palácio em uma festa. Com um pedaço de plástico enrolado em um pente e alguns tambores, cantavam Asa Branca, enquanto crianças faziam cocô nos canteiros da Praça dos Martírios. A ?festa? prosseguiu durante toda a reunião no Palácio que contou, também, com a participação de secretários de Estado. Na reunião, o saque feito ao armazém da Conab não foi mencionado. Entre os itens discutidos, constaram a construção de 15 casas de farinha, creches em assentamentos e apuração e punição das violências cometidas contra trabalhadores. No final, o governo autorizou a liberação de R$ 105 mil para a construção de três das quinze casas de farinha e o cumprimento de outros itens da pauta, como liberação de sementes para assentamentos. O governador Luis Abílio disse que não se envolveria no impasse existente entre o MST e o Incra alagoano, mas o líder do movimento, José Roberto, afirmou que o governador se prontificou a encontrar uma solução para o caso. Roberto chegou a ameaçar trazer mais manifestantes à capital, na segunda-feira, caso as pautas não fossem cumpridas, mas, ontem à noite, parece ter mudado de opinião. ?O resultado [da reunião] nos agradou muito?, resumiu. Alerta Antes da reunião, o líder do MST avisou que o Incra em Alagoas sabia há oito meses que os sem-terra invadiriam a capital e iriam fechar rodovias federais alagoanas. ?Há oito meses vínhamos alertando o Gino César [superintendente do Incra] sobre a situação dos movimentos, mas não conseguíamos conversar com ele?, disse José Roberto. Segundo ele, não há mais canal de negociação com o atual superintendente porque ?não existiu habilidade entre ele e o MST?. ?O Incra em Alagoas deixou de receber R$ 1 milhão para assistência e praticamente 60% a 70% deste dinheiro seria para o MST?, completou Roberto, acusando a direção de ?perseguição?. De acordo com o líder do MST, o orçamento do Incra é de R$ 18 milhões. ?Cerca de R$ 3 milhões são para assentamentos?, resumiu, explicando que o dinheiro não foi aplicado pelo órgão. Gino César não quis conversar ontem com a GAZETA. Por meio de sua assessoria, disse que ?não existe preferência entre movimentos? e negou que ano passado Alagoas deixou de receber R$ 1 milhão para assistência técnica de assentamentos. Porém, a assessoria confirmou que o Incra tinha conhecimento, desde a semana passada, das articulações dos movimentos de sem-terra em Alagoas. Explicou que a pauta proposta pelos movimentos estava ?sendo cumprida?, mas negou que soubesse que os movimentos bloqueariam estradas ou promoveriam saques no Estado. /// Impróprio para consumo Uma parte dos alimentos levados ontem à tarde pelo Movimento dos Sem Terra (MST) está proibida para uso. Segundo o gerente do armazém da Conab, Sérgio Albuquerque, o governo federal comprou caixas de latas de óleo tipo 1 e as análises feitas na Conab demonstraram que o produto era tipo 2. ?Estes alimentos tinham que ter os rótulos arrancados e deveriam ser devolvidos à empresa?, informou Sérgio. Segundo ele, todos os alimentos que chegam na Conab passam por exames que comprovam a qualidade dos produtos. ?Os sem-terra recebem alimentos da melhor qualidade?, reforçou.

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