Política
POPULAÇÃO APOIA CONSTRUÇÃO DA PONTE E QUER PRESERVAÇÃO DA BALSA
Ligação rodoviária entre Penedo e Neópolis finalmente sairá do papel, mas balseiros temem fim da atividade


Dois assuntos dominam hoje as conversas dos moradores de Penedo (AL), na região Sul de Alagoas: um é a redução populacional no censo do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística, que constatou que a população não passou de 58.647 habitantes. Portanto, menos 3,22% em relação ao censo de 2010.
O outro tema é a construção da ponte sobre o rio São Francisco ligando ao município de Neópolis (SE), antiga promessa de políticos dos dois estados. “Agora a ponte sai”, garantem o ministro dos Transportes, senador Renan Filho (MDB/AL), o Governador Paulo Dantas (MDB) e o prefeito Ronaldo Lopes (MDB).
Paralelamente, cresce o movimento em defesa da permanência da histórica balsa que faz a travessia entre os dois municípios e da preservação do Porto de Penedo, aberto pelo imperador D. Pedro II, em 1866.
A maioria dos penedenses estranhou a redução populacional e imagina que muita gente foi embora do município por causa do desemprego. A cidade histórica hoje tem universidades, ensinos em todos os níveis [público e privados], mas pouca oferta de emprego.
A esperança de mudar esse quadro social está na inauguração da ponte sobre o rio São Francisco entre Penedo e Neópolis. A obra tem garantidos R$ 300 milhões, terá um quilômetro de extensão e deve ficar pronta em três anos. Segundo moradores e autoridades estaduais e municipais, o turismo naquela região do baixo São Francisco será impulsionado. Os gestores municipais e estaduais acreditam que o empreendimento trará empresas, investimentos e novos projetos de desenvolvimento.
Porém, nem todos pensam assim. Os comerciantes mais antigos e com pontos tradicionais próximos ao Porto das Balsas têm dúvidas e muitos questionamentos. Temem que, após a conclusão da ponte, ocorra o fim da balsa na travessia para Neópolis. Os donos das duas empresas das quatro balsas também têm a mesma preocupação.
Se isso ocorrer, o comércio de lanches e refeições rápidas no porto deve registrar queda no movimento, acredita Josenaldo Carlos, que há 15 anos mantém um bar de lanches no local. “É claro que teremos mais turistas na cidade, mas eles vão andar na ponte e não vão parar aqui, no Porto”.
O supervisor Cristiano dos Santos pensa diferente. Diz que o município está em fase de preservação do patrimônio e de crescimento. “Penedo está preservada. Vai crescer muito por causa do turismo. Esta é uma cidade histórica”,. Ele acredita que será bom para a economia do município, reduzirá o desemprego e os pontos tradicionais serão atrativos como sempre foram.
“As balsas que hoje fazem a travessia Penedo e Neópolis ajudaram na construção das duas cidades, promoveram o desenvolvimento e atraíram até o imperador D. Pedro II. Por isso, não podem sumir da história. Elas fazem parte da memória do povo”, acreditam empreendedores como Crislaine Lemos e Érick dos Anjos, que decidiram “investir” na cidade. “Tudo aqui tem que ser preservado, inclusive as balsas”, sugere Erick.
TURISMO
Se depender da opinião dos moradores de Penedo, dos comerciantes, turistas e do prefeito Ronaldo Lopes (MDB), as balsas da travessia Penedo/ Neópolis não vão desaparecer. Serão mantidas em comunidades que utilizam embarcações menores, em operações para atender ao turismo e algumas devem ser realocadas para o vizinho município de Piaçabuçu, que também faz a travessia em embarcações pequenas, acredita Ronaldo Lopes.
São raros os que se posicionam contra a construção da ponte. A maioria acredita que o empreendimento atrairá investimentos, impulsionará o turismo, vai gerar mais emprego e renda para as cidades de Alagoas e Sergipe. “A ponte é uma realidade, um projeto irreversível”, diz Ronaldo Lopes. “Essa é uma luta antiga dos penedenses e da população das cidades de Sergipe e Alagoas”.
O prefeito tentou tranquilizar os 11 marinheiros que trabalham nas duas empresas. “Existe um povoado aqui próximo - Brejo Grande-, em Piaçabuçu, que faz a travessia com balsas menores. Acredito que as balsas de Penedo podem atuar lá”. Além disso, o prefeito vai trabalhar para que as embarcações atuem também em ações de transportes voltadas para o turismo. “O movimento de turista está aumentando muito. Com a conclusão da ponte, aumentará o fluxo nos dois estados [AL e SE], e as balsas podem ser um equipamento importante”.
Além de reconhecer a relevância histórica, destacou que as embarcações que navegam no São Francisco são da iniciativa privada. “O tráfego de passageiros tem custo. O movimento na ponte será gratuito. Isso é positivo principalmente para os mais vulneráveis”, destacou o prefeito.