Política
Lula tenta finalizar hoje reforma ministerial
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou seus principais ministros e membros da cúpula do PT para uma reunião ontem à noite na Granja do Torto para definir quais petistas deixarão o ministério. Hoje, ele terá novas reuniões para as últimas articulações das mudanças no primeiro escalão. O ministro José Dirceu (Casa Civil), encarregado por Lula de fazer contatos com os partidos aliados, reuniu-se ontem com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE), e sinalizou com a possibilidade de dar ao partido uma pasta mais importante do que a aventada antes da eleição do pepista. Antes, cogitava-se Esportes ou Pesca. Agora, o governo estuda dar ao PP o Ministério das Comunicações. A oferta de um ministério com mais verbas e cargos veio no mesmo dia em que Severino anunciou que arquivaria o pedido do PSDB de abertura de processo de crime de responsabilidade contra Lula devido a declarações do presidente sobre suposta corrupção no governo FHC. Indicação O governo ainda tinha esperanças de convencer o PP a confirmar a indicação do ex-líder do partido na Câmara Pedro Henry como ministeriável da sigla. Mas a bancada do PP, liderada por José Janene (PR), o rejeitava. A interlocutores, Janene dizia que a chance de Henry era mínima e que o partido indicaria um técnico. Se vingar a articulação para dar ao PP as Comunicações, o atual titular da pasta, Eunício Oliveira, seria remanejado. Essa troca dependeria do destino de Ciro Gomes (Integração Nacional). A cúpula do governo quer Ciro na Saúde, no lugar do petista Humberto Costa, mas o ministro tinha dúvida sobre aceitar a tarefa. A possibilidade de Ciro ir para a Previdência era menor, mas não estava descartada. Até ontem, a Previdência tendia a ser dada a Romero Jucá (PMDB-RR). Detalhe: há resistências a Jucá em setores do governo. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), bancava o nome dele e ameaçava endurecer com o governo se a indicação não fosse confirmada. As negociações de última hora com o PP poderiam alterar o destino da senadora licenciada Roseana Sarney (PFL-MA). Ela estava bem cotada para as Comunicações, mas pode terminar em outra pasta devido à necessidade de atender o PP. Ou seja, há ainda complicadores de última hora que podem alterar o desenho final da reforma. Na reunião de ontem, estavam, por exemplo, os ministros Dirceu, Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e Jaques Wagner (Conselhão). O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o presidente do PT, José Genoino, também participavam. Lula pretendia resolver os problemas no PT. Um deles era o destino do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). O governo condicionava sua ida para o ministério à desistência de disputar a candidatura ao governo paulista com o preferido de Lula, Mercadante. João Paulo é cotado para a Coordenação Política, pasta de Aldo Rebelo. Outra possibilidade era devolver à Casa Civil as atribuições dadas a Aldo em janeiro de 2004, quando houve a primeira reforma do governo Lula. *** Reforma política em ?fatias? Brasília - Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e dos quatro maiores partidos do País decidiram ontem ?fatiar? o projeto de reforma política para começar a votar em abril a proposta que se arrasta há mais de dez anos no Congresso. A idéia é aprovar, antes da metade do ano, questões em que há consenso, para que passem a valer para as eleições de 2006. Os dois primeiros pontos avaliados devem ser os que tratam da fidelidade partidária e do fim da verticalização das eleições. A reunião entre Renan e os presidentes do PT, José Genoino, do PSDB, Eduardo Azeredo, do PFL, Jorge Bornhausen, e do PMDB, Michel Temer, foi uma tentativa de fazer a reforma política deslanchar. Na íntegra, o projeto engloba uma série de pontos sobre os quais os partidos divergem. Segundo os dirigentes, a idéia é construir um ?consenso coletivo? que permita aprovar questões menos polêmicas primeiro. Segundo Temer, só é possível aprovar a reforma com o fatiamento. ?Se não fizermos isso, não conseguiremos aprovar as mudanças e há a perspectiva de uma desmoralização?, disse. Os líderes chegaram a um acordo de votar uma modificação do regimento da casa para incentivar a fidelidade partidária. Para a distribuição de cargos na Mesa das casas e nas comissões, vale hoje o número de parlamentares que a bancada tem no dia da eleição da Mesa. A mudança faria valer o número de parlamentares de cada partido no dia definição da eleição para o Congresso. Os partidos teriam que decidir ainda se o prazo mínimo de permanência dos políticos nos partidos seria de três ou quatro anos - ponto em que há divergências - a partir da data da eleição. O fim da verticalização, determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que obriga os partidos a não contrariar, nos estados, coligações realizadas em âmbito nacional, deverá ser o primeiro a entrar na pauta. Um projeto de Renan, apresentado em dezembro e aprovado no mesmo dia pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), está pronto para ir à votação em plenário. Mas o ponto não tem o apoio de todos os partidos. ?A verticalização é um assunto polêmico no PT?, disse Genoino. A posição do PSDB é semelhante. Já o PMDB, que tem o maior número de prefeituras, defende o fim da norma. Para 2008, os dirigentes esperam fazer valer os pontos que determinam as listas partidárias de votação e o financiamento público das campanhas. A sugestão discutida na reunião é de que a lista fechada, com a qual o eleitor não vota mais em um candidato, mas na listagem do partido, seja substituída pela lista mista. Os eleitos saíram de uma composição entre os mais votados e a lista partidária.