Política
Pr�dio do Incra s� fica�12 horas desocupado
REGINA CARVALHO Durante o período de 12 horas em que a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na Praça Sinimbu, esteve desocupada ontem, manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) impediram a imprensa de ter acesso ao local. A desocupação ? depois de 12 dias ? aconteceu por volta das 6 horas da manhã, como parte de um acordo entre os movimentos e o procurador-geral do Incra, José Bruno Lemes. Por volta das 18 horas de ontem, no entanto, o prédio voltou a ser ocupado pelos sem-terra. Nas primeiras horas da manhã, logo após a desocupação, agricultores armados com foices permaneceram na porta do Instituto e avisavam que a chave somente seria entregue ao procurador-geral José Bruno Lemes. Eles informavam que, enquanto isso, ?ninguém poderia entrar sem a permissão de uma liderança do MST?. Ainda ontem, os manifestantes limparam todo o prédio do Incra para que, segundo a direção do MST, os funcionários voltassem a trabalhar normalmente a partir daquele momento. A desocupação do prédio pelos manifestantes foi parte da negociação feita entre o MST e a procuradoria-geral do Incra. ?Eles recuaram também. O Ministério do Desenvolvimento Agrário disse que só conversaria com a gente sobre a saída do Gino César [superintendente regional do órgão] se nós saíssemos da sede, e fizemos isso?, afirmou Vânia Silva, coordenadora estadual do MST. Mesmo tendo desocupado ? e depois reocupado ? a sede do Incra ontem, os integrantes do MST mantiveram-se acampados na Praça, da mesma forma que no início do protesto: alojados em barracas de lona, improvisando varais nas árvores, dividindo o espaço com fezes e moscas, já que os banheiros químicos instalados para uso dos movimentos estão fétidos e sem qualquer condição de higiene. Radicalização A direção do MST prometia radicalizar caso a saída do superintendente Gino César do cargo ? principal reivindicação do movimento ?, não fosse atendida pelo Incra nacional. O movimento completou ontem 12 dias de acampamento na Praça Sinimbu. Durante esse tempo, foram registrados, além da invasão do prédio do Instituto, a pressão por doação de alimentos em um supermercado próximo à praça e a destruição e queima de uma caminhonete S10 pertencente ao Incra. O veículo estava estacionado do outro lado da praça e foi arrastado pelos manifestantes até o local onde foi destruído e queimado. Questionada se a desocupação do prédio seria um sinal de que o MST estava recuando em suas exigências e com receio de um confronto com a polícia, a coordenadora do MST foi taxativa: ?Estamos prontos para um possível embate com os policiais militares, principalmente agora, que chegou mais gente?, disse ela, referindo-se ao fato de terem chegado, ontem, mais 150 trabalhadores rurais vindos das regiões da Zona da Mata e do Sertão. ?E vai chegar mais?, avisou Vânia Silva. José Roberto, da direção estadual do movimento, chegou a afirmar que nem seria ?louco de pensar em desocupar a Praça Sinimbu enquanto as reivindicações não forem atendidas?. ?Desocupamos a sede do Incra para manter uma negociação. Continuaremos na praça?, afirmou. A direção do MST continua afirmando que se o superintendente do Incra de Alagoas, Gino César, não for destituído do cargo, os manifestantes voltam a ocupar a sede do Instituto. ?Queremos a saída dele, não adianta outra história?, disse. ?Enquanto isso, ficaremos aqui acampados na praça. Todo mundo quer trabalhar, quer voltar para seu lugar de origem. Mas até uma decisão, ficaremos por aqui?, complementou a coordenadora do movimento.