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Senado lembra os 20 anos da redemocratiza��o

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Brasília ? Numa sessão especial, o plenário do Senado celebra nesta terça-feira (15), às 15h, o maior acontecimento político da história recente do Brasil: os 20 anos do dia em que os militares entregaram pacificamente o poder aos civis. Políticos que viveram aquele momento, o principal deles José Sarney (PMDB-AP) que, no dia 15 de março de 1985, assumia o governo no lugar de Tancredo Neves, estarão presentes. ?Não tínhamos noção do que poderia acontecer?, diz hoje o senador que, 20 anos atrás, às 3h da madrugada, foi informado pelo general Leônidas Pires Gonçalves, que subiria a rampa do Palácio do Planalto no lugar do presidente eleito. ?Temíamos todos que pudesse haver um retrocesso?, diz hoje Sarney, ao lembrar as últimas palavras do general: ?Boa noite, presidente?. Vinte anos depois, Sarney se refere à redemocratização como a mais competente, bem-sucedida e tranqüila das engenharias políticas que resultaram numa transição democrática no Brasil. ?Em toda a sua história, o Brasil nunca teve um período de democracia tão plena, ampla e duradoura como os destes 20 anos?, observa ele. Os momentos cruciais dessa reconstrução democrática começaram em 14 de março de 1985, quando Tancredo Neves, ao lado de seus familiares, foi à missa em ação de graças, celebrada em sua homenagem, no Santuário Dom Bosco, em Brasília. Ao sair dali, com fortes dores abdominais, chamou o médico da Câmara, Dr. Renault Matos Ribeiro, para socorrê-lo. Com um diagnóstico de apendicite, Tancredo foi levado para o Hospital de Base de Brasília e operado aos 37 minutos do dia 15, dia em que deveria receber a faixa presidencial do general João Baptista Figueiredo, último governante do regime militar. Foi anunciado que ele padecia de diverticulite, mas posteriormente foi diagnosticado um tumor no intestino. Na madrugada do dia 15, o meio político se mobilizou para tentar solucionar o impasse a respeito de quem assumiria o poder. Segunda pessoa na escala hierárquica da sucessão presidencial, Ulysses Guimarães, presidente da Câmara dos Deputados, era visto como a pessoa que deveria assumir. O próprio Ulysses entendeu contudo que vetar a posse de Sarney seria o mesmo que invalidar a eleição feita pelo Colégio Eleitoral. Essa foi a madrugada em que Sarney mais temeu pelo futuro do País. Ele observa que as instituições brasileiras não eram tão consolidadas assim e que, naquele período, a única força organizada em condições de tomar decisão como poder eram as Forças Armadas. De acordo com Sarney, foi com as Forças Armadas, e não contra elas, que a transição consumou-se. Naquele momento, o que mais havia eram dúvidas sobre a legitimidade de sua posse. Dúvidas finalmente dissipadas numa reunião, realizada na granja do Ipê, entre Leitão de Abreu, último chefe da Casa Civil do governo militar; Leônidas Pires Gonçalves, primeiro ministro do Exército da Nova República; e Ulysses Guimarães. Com o aval do jurista Afonso Arinos, esses homens decidiram que Sarney seria empossado. *** Sarney diz que transição foi tranqüila José Sarney assumiu a presidência da República perante o Congresso às 10h da manhã do dia 15, pronunciando o discurso que Tancredo Neves leria e cuja essência fixava-se na prioridade de conter os gastos públicos. No mesmo dia, ele manteve o ministério escolhido por Tancredo Neves, entre os quais estavam Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), Marco Maciel (PFL-PE), Jorge Bornhausen (PFL-SC) e Pedro Simon (PMDB-RS), senadores que discursarão na sessão desta terça-feira (15). Para Sarney, essa transição demonstrou que o esquema armado por Tancredo Neves e conduzido por ele, Aureliano Chaves e José Richa, então governador do Paraná, havia tido êxito. Êxito que ele atribui sobretudo ao general Leônidas Pires Gonçalves. ?Leônidas foi o ponto-chave. A ele deve o País, em grande parte, a tranqüilidade da transição?. Sem traumas Ao recordar esses 20 anos, Sarney sublinha sobretudo que a redemocratização do País ocorreu sem traumas, quando seu grande temor era um retrocesso. ?Acho que nós devemos aos políticos daquele momento à sabedoria de uma engenharia política que realizou a mais tranqüila das transições democráticas?. Na avaliação de Sarney, se considerarmos as transições democráticas realizadas na Argentina e no Chile, quando o poder foi cedido pelos militares numa espécie de hipoteca, e se considerarmos a traumática redemocratização da Grécia e de Portugal, a restauração democrática no Brasil, naquele momento, foi a mais tranqüila do mundo. E isso graças à estratégia armada por Tancredo Neves. Estratégia que Sarney conhece em todos os detalhes. Ele observa que, consolidada a vitória de Tancredo no colégio eleitoral, no dia 15 de janeiro de 1985, era preciso sustentá-la no âmbito dos militares. E lembra que, tendo vivido todas as crises institucionais da história recente do País, Tancredo Neves preocupou-se em trabalhar essa área para evitar resistências à sua posse. De acordo com Sarney, Tancredo estudou a hipótese de negociar com os militares, como fizeram o Chile e a Argentina, e chegou a admitir manter o general Walter Pires no Ministério do Exército. A outra estratégia trabalhada por Tancredo concentrava-se na construção de um dispositivo autônomo de sustentação da democracia.

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