Política
Futebol entra no jogo da sucess�o para 2006
MARCOS RODRIGUES O futebol alagoano vive períodos de altos e baixos. Os clubes, sem renda própria, dependem de seus conselheiros e torcedores apaixonados. Mas nos momentos de destaque, por trás do sucesso nos gramados, existem as parcerias políticas. Nesse momento, no Estado, os principais clubes contam com a presença ou o apoio de políticos dos mais diferentes matizes ideológicos. Um dos exemplos é o Centro Sportivo Alagoano (CSA). Em nome da cor azul, estão juntos quadros políticos do PT e do PTB. Isso mesmo. Lado a lado, Ricardo Coelho, Gino César, João Lyra e Augusto Farias. A proposta que une os dois grupos envolve a paixão pelo ?esquadrão azul?. Quando ainda estava à frente do CSA, na condição de presidente, Coelho costumava dizer que o ?amor pelo CSA supera barreiras e diferenças?. Salvação No caso do principal adversário dos azulinos, o Clube de Regatas Brasil (CRB), a estratégia também foi recorrer ao socorro político. Lá, a entrada do deputado Celso Luiz (PSB), atual presidente da Assembléia Legislativa, (ALE) reuniu quadros políticos como o ex-governador Manoel Gomes de Barros e o ex-deputado João Neto. Em relação ao CSA, a situação do CRB é melhor, já que o time permanece na 1ª divisão do campeonato alagoano e na 2ª do brasileiro. Os azulinos amargam a 2ª divisão do alagoano e não participam de nenhuma competição nacional. Crise Mas é exatamente nas situações de crise que as parcerias com os políticos começam a ganhar espaço. Em tese, a evidência ou a ?salvação? da equipe pode dar visibilidade e projeção. Essa fórmula é nacional. Grandes equipes, como Flamengo e Vasco, já elegeram deputados federais como Márcio Braga e Eurico Miranda. No caso do CSA, isso fica mais evidente. Depois de quase dez anos, o deputado federal João Lyra volta à rotina do clube com a missão de recuperar a imagem do azulão. Lyra, assim como os demais políticos ligados ao CRB, quer garantir espaço político nas eleições de 2006. Até o momento, o seu nome está sendo cogitado para ser candidato a sucessão do governador Ronaldo Lessa (PDT). O primeiro tempo do jogo Lyra já venceu quando saiu da disputa para a prefeitura de Maceió e elegeu Cícero Almeida (sem partido) e sua filha Lourdinha Lyra (PTB) como vice. O segundo tempo já começou, mas ainda existem dúvidas sobre qual será o resultado final. Dúvidas É que as outras equipes, ou pré-candidatos, ainda não se definiram. Essa é a situação, por exemplo, do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Por conta da aliança firmada para a reeleição de Lessa, ele já foi escalado para ser o titular da disputa em 2006. Mas a ascensão nacional do senador pode tirá-lo de campo, antes mesmo do início da disputa. É que agora o jogo é outro. Renan pode entrar numa outra partida: a que define a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Estado, Renan também tem sua torcida, ou melhor, um clube de apoio. Trata-se do pequeno Murici, com sede na cidade de mesmo nome. Lá, é o prefeito Renan Filho que está nas articulações. Desde que se tornou senador, Renan está acostumado a jogar para várias torcidas. A única certeza, no momento, é que não será uma estrela solitária. *** Times pequenos contam com padrinhos políticos A realidade do futebol no interior não foge à regra da capital. O modelo é o mesmo. Times pequenos, quase desaparecidos, depois de adotados se projetam e levam consigo os respectivos padrinhos. O atual campeão alagoano é o time do Coruripe. Por conta da equipe, a cidade de mesmo nome ganhou visibilidade capaz de ofuscar, por alguns dias, o noticiário sobre violência que marca o lugar. A estrutura do time do Litoral Sul é mantida graças ao apoio da família Beltrão e parceiros empresariais. O deputado João Beltrão é o patrono do time. Seguindo o seu envolvimento com o esporte, o seu filho Max Beltrão também está ligado a administração do clube. O atual prefeito do município de São Luiz do Quitunde, Cícero Cavalcante, quando administrava a cidade vizinha de Matriz de Camaragibe, levantou o time do Bom Jesus. A presença à frente da equipe ajudou a projetá-lo para sua candidatura em São Luiz. Em Arapiraca, a Agremiação Sportiva Arapiraquense (ASA) foi, durante a gestão da prefeita Célia Rocha, prestigiada. Os investimentos também levaram a equipe a ganhar um campeonato alagoano, surpreendendo os times tradicionais da capital. CSA e CRB já sentiram a força do interior em alguns torneios. Agora, depois que o deputado Celso Luiz assumiu o comando administrativo da equipe, ele tem acompanhado os jogos que têm ocorrido no interior. O futebol consegue romper barreiras políticas e fronteiras eleitorais. No município de Palmeira dos Índios, o Clube Social Esportivo (CSE) conta com o apoio da prefeitura para se manter. Em Santana do Ipanema, o deputado Isnaldo Bulhões (sem partido) vem incentivando o desenvolvimento do esporte amador. O time da cidade, o Ipanema, vai participar do campeonato alagoano da 2º divisão. Fórmula Em todas as situações, o desejo é o de repetir a fórmula bem sucedida que marcou a história do CSA. Entre todos os times, foi o que projetou mais políticos. O principal deles foi o ex-presidente Fernando Collor. Seu filho, Arnon de Mello Neto, também já esteve à frente do clube, levando-o a conquistar títulos até no exterior. Por pouco, ele não se elegeu deputado federal em 2002. (MR)