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Desilus�o, lei esdr�xula e bode na Marcha a Bras�lia

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A 8ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, realizada nos últimos dias 7, 8 e 9, no hotel Blue Tree Park, na Capital Federal, foi marcada pela desilusão e por aspectos pitorescos ligados a prefeitos de todo o País. No primeiro dia do evento, os prefeitos esperaram mais de duas horas e meia pela presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em seu discurso de boas vindas, deixou claro que não tinha nada a oferecer. O presidente sugeriu que os prefeitos voltassem em 2006 ? ano de eleição presidencial - e que continuassem lutando pelos seus municípios. Lula também aconselhou os prefeitos a pressionarem os deputados federais para votar a reforma tributária a favor do governo, pois só assim talvez sobrasse ?algum trocado? para os municípios. O trocado a que Lula se referia é o aumento de 1% no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) previsto no projeto de reforma tributária. Revoltados com o discurso de Lula, os prefeitos apostaram suas fichas no presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que ao discursar para os mais de 2.500 prefeitos foi ovacionado e teve seu nome citado várias vezes. ?É Severino, é Severino, é Severino?, gritavam os prefeitos. Empolgado, Severino anunciou para o dia seguinte a votação da medida da reforma tributária que garantia o aumento do FPM. O governo reagiu e, para evitar desgaste, estabeleceu um acordo para votar a reforma no dia 29 de março. Severino convidou os prefeitos a retornarem a Brasília neste dia, e propôs que se o projeto não for a votação em vez de ovacioná-lo, os prefeitos poderiam vaiá-lo. Via-crúcis Sem apoio do presidente Lula os prefeitos iniciaram uma verdadeira romaria nos gabinetes de deputados e senadores. Eles também foram a vários ministérios e órgãos públicos federais em busca de recursos. Mas a romaria feita pelos prefeitos nos corredores de Brasília foi apenas um detalhe diante de fatos pitorescos que marcaram a presença deles na Capital Federal. Nos corredores do Congresso Nacional era comum a presença de prefeitos vestidos a caráter. No lugar do terno e gravata, eles vestiam roupas típicas que incluíam bombachas, botas, chapéus e cintos de couro, típicos de suas regiões. Além dos modelitos, os prefeitos também chamaram a atenção por seus feitos administrativos. Em Aparecida do Norte, cuja cidade é regida pela fé na padroeira do Brasil, o prefeito conhecido por Zé Louquinho, vangloriava-se por ter criado uma lei obrigando os padres a andarem de batina, outra impedindo as mulheres de usar minissaia e outra proibindo namoro em praça e prédios públicos de pessoas do mesmo sexo. De Alagoas, uma figura estilo da viúva porcina desfilou pelos corredores na companhia de vários prefeitos de São Paulo vestindo roupas extravagantes, e falando linguajar rasteiro. A prefeita, que administra uma cidade do Agreste, fez questão de dizer que tinha matado um bode e levado a Brasília para presentear uma pessoa importante. Os funcionários do hotel onde ela estava hospedada ficaram assustadas com o pedido da prefeita para colocar o bode no freezer antes de ser presenteado. Os prefeitos alagoanos, principalmente das cidades pequenas, reclamaram nos corredores do Congresso a presença da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA). Alegando terem ficado a ver navios, alguns sugeriram a criação de blocos regionais para lutarem em conjunto pelos objetivos comuns.

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