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Visita de senadores ao Sert�o em clima de campanha eleitoral

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MARCOS RODRIGUES A viagem dos senadores Renan Calheiros (PMDB), Teotonio Vilela Filho Filho (PSDB) e Heloísa Helena (P-Sol) ao Sertão de Alagoas, para constatar o sofrimento de quem vive as conseqüências da seca teve um tom eleitoral. A visita foi acompanhada pela presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Rosiana Beltrão. Ao todo, foram percorridos 75 quilômetros por estrada de barro e pista entre os municípios de Olivença, Carneiros, Senador Rui Palmeira e São José da Tapera. O ponto de partida foi a cidade de Olivença, distante 194 km de Maceió. Foi lá que os três senadores desembarcaram num helicóptero cedido pelo Grupo João Lyra, no Estádio Municipal. A presença do senador Renan Calheiros no Sertão serviu para medir sua popularidade visando a possível sucessão do governador Ronaldo Lessa (PDT). Depois de 8 horas sob um sol escaldante, uma temperatura de 35° e debaixo de muita poeira, o presidente do Congresso Nacional confirmou que sua estada nos municípios era ?simbólica?. ?É uma presença simbólica porque todos vocês sabem de minhas limitações. Mas me comprometo a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lhe apresentar as reivindicações aqui postas. A seca é algo que acontece todo o ano e pode ser amenizada com ajuda emergencial e com a realização de obras hídricas?, disse. Renan Calheiros foi seguido por toda parte por lideranças políticas e por prefeitos de áreas excluídas do roteiro traçado pelo senador Téo Vilela. A estratégia desagradou alguns políticos presentes. Uma das que se queixaram foi a prefeita de Estrela de Alagoas, Angela Garrote. Certa de que seu município também poderia ser contemplado, ela tentou até o último instante mudar o percurso, mas foi em vão. Se para ela a presença do presidente do Senado tinha um peso político, para a maioria das pessoas dos municípios e povoados visitados foi visto como campanha eleitoral. Foi o que pensou a agricultora aposentada Maria Aparecida da Silva, 64, moradora do povoado Serrinha, distante 12 km do município de Olivença. ?Moro aqui desde que nasci. Nunca vi tanta gente. Será que eles é que vão trazer a luz para minha casa??, questionava. Críticas O objetivo inicial da visita era demonstrar o sofrimento da população e a desatenção do governo federal para com os sertanejos. Entretanto, em Serrinha, por exemplo, os senadores obtiveram a informação que em oito anos do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foram construídas 20 cisternas para coleta de água da chuva contra 53 edificadas nos últimos dois anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os reservatórios são abastecidos a cada 15 dias por três carros-pipa mantidos pela prefeitura local. Os sertanejos também não reclamaram da falta de comida. Segundo eles, o programa Fome Zero tem funcionado na região. Em algumas casas, o número do cadastro no programa está pichado nas paredes. Ainda assim, o tucano Téo Vilela também não poupou críticas ao governo federal. Ele lembrava a todo instante das obras hídricas executadas pelo governo FHC. Indagado se sua posição não poderia prejudicar as relações com o atual governo, Téo discordou. Segundo o tucano, no governo de FHC, Renan era o crítico e ele o interlocutor e que agora é o contrário. ?É como um jogo de voley. Jogamos juntos. Aqui um levanta e outro corta?, disse. O senador Renan Calheiros evitou falar em campanha, mas não dava para negar suas pretensões para 2006. Em todos os locais visitados foram distribuídos jornais e livros contando sua trajetória política até a eleição para o Senado. No município de Carneiros, distante 218 km de Maceió, o senador foi saudado como se estivesse numa carreata pela cidade. Acompanhado de Téo e Heloísa, ele posou para foto numa árvore plantada pela senadora, à época no PT. Em Carneiros, no povoado de Aldeia, distante 8 km da sede do município, o vereador José Barbosa (PSDB) confirmou a situação de calamidade. Segundo ele, a população está fazendo plantão na sede da prefeitura e na casa dos vereadores. ?Só contamos com a chuva em abril ou junho. Dependemos exclusivamente da agricultura, milho e feijão?. Em senador Rui Palmeira, no povoado de Serrinha, o senador Renan Calheiros ouviu outro pleito. Lá, o prefeito Siloé Moura (PSB) levou o presidente do Congresso para se comprometer com a liberação de recursos para levar luz elétrica. Ontem, a presidente da AMA, Rosiana Beltrão, confirmou o reconhecimento de emergência em 26 dos 32 municípios alagoanos. Segundo ela, a portaria de nº 82 foi publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União. Também ontem, no plenário do Senado, a senadora Heloísa Helena fez um pronunciamento cobrando a liberação de recursos federais para os municípios que tiveram reconhecido o estado de emergência.

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