Política
Sem-terra: Conselho de Seguran�a se re�ne hoje
BLEINE OLIVEIRA O impasse criado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que há 15 dias acampou em Maceió exigindo a exoneração do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/AL), Gino César Menezes, obrigou o governo do Estado a convocar extraordinariamente o Conselho Estadual de Justiça e Segurança Pública para discutir o assunto. A reunião será realizada hoje, às 10 horas, na Sala dos Conselhos, no Palácio Floriano Peixoto. Outra preocupação do governo é com a chegada de trabalhadores do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), que ontem acamparam na Praça do Centenário, no Farol. Segundo Heleno Marques, um dos coordenadores da organização, o objetivo é defender a permanência de Gino César ?e mostrar à sociedade que os sem-terra não são marginais?. Confronto O grupo é formado por cerca de 1.800 pessoas, cálculo do próprio MLST, que ficarão em Maceió até a próxima sexta-feira, podendo prolongar a estada se for necessário. A chegada do MLST obrigou o governo do Estado a mobilizar as forças de segurança pública. Ontem, por mais de duas horas, o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, se reuniu com o comando da Polícia Militar, e entre os assuntos tratados estava a possibilidade de confronto entre as duas organizações que lutam pela reforma agrária no Estado. Oficiais PMs revelam que o governo está sendo pressionado a usar a força para desocupar a sede do Incra e a Praça Sinimbu, onde o MST fincou suas trincheiras. A operação está sendo minuciosamente preparada para evitar que pessoas sejam feridas. ?Ninguém faz mais nada nessa cidade, só se pensa no que fazer com os sem-terra?, disse um oficial militar. Reforço A crise provocada pelo MST levou o governador em exercício Luis Abílio de Sousa (PSB) a tratar do assunto no final de semana. No último sábado, ele reuniu autoridades públicas e entidades civis, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL) e Conselho Estadual de Direitos Humanos em busca de uma solução que leve o MST de volta ao campo. Ontem, Abílio enviou ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando urgência na solução do impasse. (Leia mais sobre o assunto na página seguinte). Mas nada mudou e a coordenação do MST mantém a decisão de só deixar Maceió quando o superintendente do Incra for afastado. Os coordenadores garantem que não recuarão. Tanto que, segundo Hercílio Leandro, lideranças foram enviadas a diversos municípios com a missão de arregimentar mais mil trabalhadores e trazê-los para a capital. Hoje, o grupo do MST faz caminhada pelo Centro, passando na frente do prédio do Ministério da Fazenda, na Praça Pedro II, onde protestam contra a redução das verbas federais para a reforma agrária, que baixou de R$ 3,7 bilhões para R$ 1,7 bilhão. De lá seguem até a Praça Floriano Peixoto, onde fica a sede do Palácio do governo. O MST voltou a acusar Gino César de provocar divisão e confronto entre as organizações de trabalhadores que lutam pela reforma agrária. ?A prova é que Marcos João (um dos diretores do Incra-AL) foi pressionar o MLST pra vir a Maceió defender o Gino. Isso agrava a situação e a responsabilidade é do Incra?, afirmou Hercílio Leandro. Flores A declaração é contestada por lideranças do MLST, que admitem apoiar o superintendente do Incra, mas garantem que a vinda a Maceió é para se contrapor à imagem negativa que o MST tem deixado na população. ?A forma de luta deles está prejudicando todas as organizações. Sem-terra não é bandido e nem vândalo?, afirma Heleno Marques, dirigente do MLST. O movimento, que existe no Brasil desde 1995, chegou a Alagoas há três anos e desde o início vem arregimentando trabalhadores que antes estavam vinculados ao MST. Heleno afirma que o MLST adota uma postura mais democrática de gestão e é contra depredação e qualquer forma de violência. ?O diálogo vence a força?, acrescenta o dirigente, revelando que na passeata que realizam hoje seus liderados vão distribuir flores com a população para mostrar que a luta pela terra é pacífica. Ele descarta a ocorrência de confronto com o MST.