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MST pressiona PT pela sa�da de Gino C�sar

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REGINA CARVALHO Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) saíram em passeata, ontem, da praça Sinimbu, onde estão acampados há 16 dias, em direção à Secretaria Estadual de Assistência Social, no Poço. Funcionários da secretaria paralisaram as atividades depois que os integrantes ocuparam o pátio do prédio. Antes de serem recebidos pelo secretário estadual de Assistência Social, Thomaz Beltrão (PT), lideranças do MST acusaram o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gino César Menezes, de trazer outros movimentos para promover conflito entre trabalhadores. ?Eles querem o quê com isso? Um conflito na cidade. Saímos do campo já para evitar isso?, questionou Edir Paulo, um dos coordenadores do MST em Alagoas. Os líderes do MST enfatizaram que ficarão o tempo que for preciso em Maceió, até que a principal reivindicação seja atendida. ?Se for preciso, ficaremos um ano acampados aqui até conseguirmos nosso objetivo que é a saída do Gino e de sua equipe do Incra?, completou Edir Paulo. O secretário Thomaz Beltrão confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que receberia uma comissão do MST. Apesar do aparente clima de harmonia, os ânimos não se acalmaram durante a reunião. ?Você (Thomaz) é o responsável por aquela equipe que está no Incra. Queremos saber o que pode fazer para tirar o Gino de lá?, cobrou um dos coordenadores estaduais do MST, Edir Paulo. Thomaz Beltrão pediu calma e paciência às lideranças do movimento. ?Nosso objetivo é harmonizar o clima entre vocês e o Incra. Todo mundo sairia ganhando. Só vejo duas formas de resolver esse problema: uma é a substituição do superintendente, que está praticamente descartada, e a outra é fazer uma reunião entre vocês e o Gino para tentar resolver a questão?, ressaltou o secretário. Os líderes do MST pediram a interferência de Thomaz Beltrão para resolver o impasse entre o movimento e o superintendente do Incra. Eles alegaram que não se responsabilizariam pelo que poderia acontecer daqui para a frente. ?Sabemos que você é o único a dar suporte à diretoria do Incra em Alagoas e achamos que pode dar uma solução. Não queremos tirar o cargo do PT, mas também não tem mais clima para o Gino continuar?, salientou José Roberto da Silva, dirigente do MST. Pressionado para que agilizasse a saída de Gino César do Incra, Beltrão rebateu: ?Nem sob tortura vou desacatar um companheiro meu?. A direção estadual do MST questionou, durante a reunião, quem estaria financiando a vinda e permanência dos trabalhadores do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), em Maceió, na última segunda-feira, que estão acampados na Praça do Centenário. ### Passeata do MLST dá apoio à direção do Incra BLEINE OLIVEIRA A divisão entre as organizações que lutam pela reforma agrária vem assumindo contornos cada vez mais fortes em Alagoas. Enquanto o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) exige a saída do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e para isso chegou a queimar um veículo do órgão, agricultores mobilizados pelo Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) caminharam ontem pelas ruas centrais de Maceió para defender a permanência de Gino César Menezes. Sem facões ou quaisquer outros instrumentos, substituídos por rosas vermelhas que foram distribuídas com a população, os militantes do MLST saíram da Praça do Centenário, no Farol, onde estão acampadas há dois dias, por volta das 16h de ontem, seguidas de perto por policiais militares. Vestindo camisetas brancas com inscrição de apoio ao superintende do Incra, Gino César e a sua equipe, e portando bandeiras também brancas, que substituíram as tradicionais bandeiras vermelhas, eles caminharam pedindo que ?nada atrapalhe a reforma agrária?. Agentes do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) abriam caminho para os manifestantes, que passaram em frente do prédio da Central Única dos Trabalhadores, da Secretaria de Agricultura, seguiram pelo Centro em direção à Praça Dom Pedro II, onde fica a Assembléia Legislativa, chegando, pela Rua do Sol, à Praça Floriano Peixoto (Praça dos Martírios), sede do governo estadual. Ali, os militantes do MLST, que reúne famílias ligadas ao Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), movimento social que também luta pela reforma agrária, fizeram discursos em defesa do superintendente do Incra. Num panfleto distribuído junto com as flores, as entidades afirmam que ?mudar a direção do Incra, só para atender ao MST, que representa apenas 35% dos assentados, é um sério risco à paz no campo?. No entendimento do grupo, se isso ocorrer, ?trabalhadores ligados a outros movimentos que não aceitam a política do MST estarão ameaçados?. Completando hoje 17 dias em Maceió, as lideranças do MST cruzaram os braços para ver o MLST passar. Apesar do temor de comerciantes, de autoridades do Judiciário e do próprio governo estadual, os dois grupos não chegaram sequer a se aproximar. Mesmo não sendo essa a intenção do MLST, a própria PM tratou de evitar que os manifestantes seguissem em direção à Praça Sinimbu, onde está localizado o acampamento do MST. Apesar de, nos últimos dias, ter centrado suas ações no campo político, o MST também tem uma pauta técnica. Mas esta, afirma José Roberto Silva, que representa a coordenação nacional do movimento em Alagoas, só será discutida se o Incra mudar os atuais dirigentes. ### Paulão: PT apóia Gino LUIZA BARREIROS O presidente do Diretório Estadual do PT, deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, reafirmou ontem o ?total apoio? do partido ao superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas, Gino César Menezes. Ele disse ter levado ao conhecimento do presidente nacional do PT, José Genoino, os fatos que vêm acontecendo em Alagoas, onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou a sede do Incra para exigir a saída do superintendente Gino César. ?Apenas o informei dos fatos, para que ele tomasse conhecimento?, justificou Paulão, afirmando que Genoino não chegou a se manifestar sobre o mérito do assunto. Para ele, apesar de Gino César ter sido indicado para o cargo pelo PT de Alagoas, sua permanência ou não na superintendência é uma questão de governo e não de partido. ?O que interessa é que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e o presidente do Incra, Rolf Hackbart, decidiram mantê-lo?, disse Paulão. Ele afirmou ainda considerar que a pauta técnica de reivindicações do movimento é legítima, quando cobra, por exemplo, a agilização no processo de reforma agrária. ?A saída do superintendente é uma pauta política e só teria sentido se houvesse improbidade administrativa?, justificou. Segundo Paulão, a Secretaria de Assuntos Agrários do PT informou ontem que além de Alagoas, em outros nove estados há ocupações com a saída do superintendente na pauta. ?É uma estratégia de preparação para o abril vermelho?, disse.

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