Política
ALE faz sess�o para debater Dia da �gua
MARCOS RODRIGUES A Assembléia Legislativa de Alagoas (ALE) realizou uma sessão especial ontem em comemoração ao Dia Internacional da Água (22 de março). Dos 27 parlamentares, apenas cinco compareceram à Casa de Tavares Bastos. Destes, somente a deputada Maria José Viana (PSB) e o presidente da sessão, deputado Francisco Tenório (PPS) acompanharam os debates. Tenório foi o autor do pedido pela realização da sessão, depois de uma solicitação do presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes), Ricardo Vieira. Mas, mesmo na condição de vice-presidente da ALE, não conseguiu mobilizar seus colegas. A ausência dos parlamentares foi criticada pelo presidente da Federação dos Pescadores de Alagoas, Benedito Roque. Ele questionou a importância que foi dada para o tema. ?Esperava encontrar esse local cheio de gente por todos os lados. Digo isso porque a água é muito importante para a existência da humanidade?, destacou Bido, como é mais conhecido. O objetivo do encontro foi discutir o processo de degradação dos mananciais e as alternativas para a sua proteção. Situação Cada representante da sociedade civil presente à ALE avaliou, sob o seu ponto de vista, a situação dos mananciais e lagoas do Estado. A única certeza de todos é quanto ao avanço destrutivo da ação do homem. O presidente da Federação dos Pescadores, Benedito Roque, disse que vive ?entre a cruz e a espada?, já que tem que incentivar a pesca na lagoa, mesmo sabendo de sua degradação. Segundo Bido, o derrame de esgoto diário faz com que ninguém mais possa tomar banho nas águas da lagoa Mundaú. ?Às vezes, na própria sede da Federação dos Pescadores, temos de fechar as portas e janelas por conta do mau-cheiro dos esgotos que são despejados?, observou Bido. Já o presidente da Abes, Ricardo Vieira, avaliou a situação da água e as ações em defesa que vêm sendo feitas em todo o mundo. Para Vieira, mesmo com a situação crítica, é importante observar que tem havido mobilização em torno do tema. Como exemplo ele se referiu à realização da ?Segunda Semana da Água?. ?Estamos realizando eventos durante toda a semana, em vários municípios do interior do Estado?. Vieira destacou também que este ano tem início a Década Internacional de Ação Água para a Vida. Até 2015 serão realizadas discussões sobre o assunto visando a troca de experiências sobre a preservação dos recursos hídricos. ?A preocupação do mundo inteiro é porque a quantidade de água é a mesma desde a sua origem. A renovação ocorre por meio de processos de reciclagem, que estão cada vez mais difíceis por causa da poluição?, enfatizou o engenheiro. Preservação A preservação do verde e das matas ciliares que rodeiam as fontes e nascentes de água foi lembrada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), Davi Salmão. Segundo ele, existem informações da presença de peixes mortos na foz do Rio Pratagy, principal fornecedor de água para a capital, além do desmatamento. ?É preciso investir na proteção das chamadas áreas permanentes (que não podem ser desmatadas). Além de tentar acabar com a questão cultural que faz as pessoas não cuidarem nem preservarem estas áreas?, disse o presidente. Salmão reconheceu que a degradação ambiental no País está avançada porque as políticas de proteção só existem há duas décadas. ?Infelizmente quando começamos a nos preocupar já era muito tarde?, considerou. Na avaliação do engenheiro Marcelo Malta, que representou a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, todos os problemas que serão enfrentados no futuro estarão ligados à questão da água. Como exemplo ele adiantou que algumas indústrias de açúcar já começam a investir em suas próprias barragens para poder garantir a produção no futuro. Os números apresentados pelo presidente do Clube de Engenharia de Alagoas, Aluízio Ferreira, ilustraram o quanto as indústrias no sul do País consomem água. Ele revelou que para a produção de uma tonelada de aço, são necessários 160.000 litros de água.