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MST libera Rua do Imperador e guarda foices

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FELIPE FARIAS ODILON RIOS A direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidiu desobstruir o trecho da Rua do Imperador, em frente à Praça Sinimbu, e recolher os instrumentos de trabalho usados durante as manifestações. A medida foi resultado da reunião de representantes do Conselho Estadual de Justiça e Segurança Pública, ontem pela manhã, que aprovou, também, a rejeição em caráter definitivo do uso da força para a remoção dos acampados. ?Se houvesse uso da força aqui, seria uma barbárie?, disse Edir Paulo de Oliveira, membro da direção estadual do MST. Segundo ele, apesar de as concessões serem uma ?contribuição? para a negociação do impasse criado com a ocupação da praça e da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o movimento ?não vai arredar o pé? enquanto não tiver atendida a principal reivindicação que motivou a vinda dos acampados a Maceió: a exoneração do superintendente do Incra, Gino César Menezes. ?A cada dia aumenta a nossa indignação, que já estava presente quando chegamos. Mas vamos continuar aqui enquanto não alcançarmos isso, porque é melhor encaminhar isso aqui do que nas áreas no interior onde está havendo confronto de um movimento contra outro?, disse. Segundo o MST, o atual dirigente do Incra tem usado essa estratégia no trato com os diferentes movimentos rurais que atuam em Alagoas. A degradação ambiental na praça aumenta a cada dia. As sarjetas do lado da praça, na Rua do Imperador, estão tomadas por dejetos, apesar dos 18 banheiros químicos cedidos para os acampados. Segundo o dirigente estadual do MST, ontem foi pedido um carro-pipa dos bombeiros para limpar essas sarjetas, além de reforço no fornecimento de água potável na praça. A Comissão formada pelo Conselho Estadual de Justiça e Segurança Pública foi uma das últimas tentativas do governo do Estado de negociar o fim do impasse entre MST e Incra. Na pior das hipóteses, não está descartada a reintegração de posse do prédio do Incra, ocupado há 18 dias pelos integrantes do MST. Depois da reunião, realizada na sede do Ministério Público Estadual, o Conselho se dirigiu à Sinimbu e, junto com o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, convidado a comparecer à praça, discursou em um carro de som do MST. ?O momento agora é de paz?, disse o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca. Já o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), que também está acampado em Maceió, mas reivindica exatamente o inverso do MST ? a permanência, em vez da exoneração, do superintendente do Incra, Gino César Menezes ? também ratificou sua intenção de permanecer acampado na Praça Centenário até ter garantias disso. Anteontem e ontem, à noite, depois do jantar, houve exibição, em telão, de shows em DVD para os sem-terra. Ao contrário do MST, os dirigentes do MLST já estabeleceram uma data para deixar a capital, retornando para suas áreas de acampamento e assentamento: ?Se tudo correr bem, a gente só fica até sexta-feira?, previu Sandoval José da Silva, coordenador regional do movimento em União dos Palmares. Segundo ele, é o próprio movimento que ?está se bancando? para garantir a alimentação, que deve dar até o fim da semana. O impasse, que já estava acirrado desde que o MST firmara questão de só deixar Maceió depois da exoneração de Menezes, se agravou com a chegada da coluna de trabalhadores rurais vinculados ao MLST, que defende exatamente a permanência do superintendente do Incra ? são os chamados ?sem-terra chapa branca?. O MST alega que Gino César adota a estratégia de dividir os movimentos rurais, beneficiando uns em detrimento de outros. Já o MLST aprova a gestão de Menezes. Gino César, por sua vez, atribui o problema à disputa por verbas federais para os assentamentos, e culpa o ex-superintendente Mário Agra pelos protestos. E rebate as acusações do MST alegando que o movimento tem sido o mais beneficiado pelos recursos.

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