Política
Berzoini � vaiado por causa da reforma sindical
Brasília - Sob vaias e protestos por parte de trabalhadores e sindicalistas, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, apresentou ontem, na Comissão do Trabalho da Câmara, o projeto do governo para a reforma sindical. A sessão teve que ser interrompida porque os sindicalistas, em protesto, se colocaram de costas para o ministro durante sua apresentação. A reunião foi retomada em seguida. A audiência com o ministro já começou em clima de tumulto, devido ao elevado número de trabalhadores que quiseram acompanhar as explicações do governo. Por isso a audiência teve de ser transferida do plenário da Comissão do Trabalho para o plenário da Comissão Mista de Orçamento, que tem maior capacidade para acomodar os ouvintes. Proposta Em sua explanação, o ministro explicou que a unicidade (permissão para que haja apenas um sindicato por categoria em uma determinada região), incluída na proposta governamental, será garantida apenas para os atuais sindicatos que se organizarem segundo critérios que garantam a representatividade dos trabalhadores. Nas mudanças propostas pelo governo, só vão negociar em nome dos trabalhadores os sindicatos que representarem 20% das categorias envolvidas. De acordo com o ministro, as quatro taxas sindicais existentes hoje - as contribuições sindical, confederativa e assistencial e a mensalidade sindical - serão substituídas pela contribuição negociada, que vai representar no máximo 13% do salário mensal por ano. Berzoini foi muito vaiado ao declarar que a partir da aprovação da reforma, os sindicatos terão que informar o estado de greve com 72 horas de antecedência ou 48 horas nos casos de serviços considerados essenciais.