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M�rio Agra: “Gino hoje � uma piada no Pa�s”

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ODILON RIOS As acusações do superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gino César, feitas quarta-feira em entrevista a GAZETA, contra membros do PSTU, P-Sol e MST repercutiram ontem nas fileiras dos movimentos. César disse que P-Sol, PSTU e dois sindicatos ligados ao P-Sol estariam agindo em conjunto na construção de uma nota pública contra o governo do presidente Lula, com o apoio da senadora Heloísa Helena (P-Sol), e sugeriu que o partido estaria tendo participação nos atos do MST, que pede a demissão de Gino César. A reação mais forte foi do ex-superintendente do órgão, Mário Agra: ?Gino hoje é uma piada em todo o País?, resumiu. Nas declarações, Gino disse que assentou mais famílias do que Agra, mas o ex-superintendente lançou um desafio: ?Veja de quando são esses processos de assentamento. A maioria vem da minha época e de bem antes de mim?, disse. ?O problema é que a burocracia continua grande?, afirmou Agra. Mário Agra confirmou que estava na Secretaria de Ação Social esta semana para tentar resolver o impasse entre o Movimento dos Sem-Terra (MST) e o Incra, a pedido da Comissão Pastoral da Terra (CPT). ?A Pastoral me pediu ajuda e eu sugeri que conversássemos com o Thomaz [Beltrão, secretário de Assistência Social] porque o Gino é da mesma corrente dele no PT [a Democracia Socialista-DS]. O Thomaz é a maior expressão da corrente?, explicou. A GAZETA tentou contato com o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima, no final da tarde, mas seu telefone não atendia às ligações. A reportagem tentou contato com Thomaz Beltrão para saber se as acusações de Gino César contra Mário Agra são referendadas pela DS, corrente petista, mas o secretário não foi localizado. Foi apurado entre membros da DS que a corrente considerou as declarações de Gino contra Agra como ?pessoais?, não refletindo, portanto, uma opinião da corrente. A GAZETA também tentou contato com o coordenador nacional do MST em Alagoas, José Roberto da Silva e com a senadora Heloísa Helena, mas eles não foram encontrados. ?A senadora recebeu uma denúncia de que havia um caixa 2 no Incra em Alagoas e pediu para apurar. Não houve mais nada?, apontou Agra, ao lembrar que Gino César disse à GAZETA que não poderia processar a senadora pela declaração, por ela ter imunidade parlamentar. O presidente do PSTU em Alagoas, Ricardo Barbosa, ficou surpreso com as declarações do superintendente do Incra. ?São inverídicas?, resumiu. ?Cacete? O coordenador estadual do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), José Roberto da Silva, que apóia a permanência de Gino César no Incra, prometeu ?cacete? para hoje, se o P-Sol tentar transformar a festa de filiação do partido, programada para esta sexta-feira, no auditório da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), em envolvimento do MTL com o partido. ?Se o P-Sol ou alguém disser que estamos ao lado do partido porque estamos acampados na Praça Centenário, vai ter cacete?, disse. Segundo ele, a direção nacional do MTL, que está ao lado do P-Sol, enviou nota oficial falando que o MTL alagoano era composto ?de um bando de aproveitadores?, nas palavras do coordenador, e que o movimento em Alagoas ?estava desautorizado? a falar sobre reforma agrária. ### Greve de fome no MST contra Gino CARLA SERQUEIRA A nova arma do Movimento dos Sem Terra (MST) é a fome. Desde as 22 horas da quarta-feira, onze manifestantes decretaram greve de fome para reivindicar a saída de Gino César do cargo de superintendente do Incra, e protestar contra a vinda do Ouvidor Agrário Nacional, Gercino de Oliveira, que deve chegar em Alagoas hoje. Acomodados em colchonetes espalhados numa sala com ar-condicionado, na sede do Incra, os grevistas não acreditam que Gercino de Oliveira vá resolver a situação de impasse entre o MST e Gino César. ?Já veio o procurador [se referindo à José Bruno Lemes], agora vem o ouvidor; estamos querendo que venha o fazedor?, ironizou José Carlos, um dos que estão sem comer desde o dia 16. ?Gercino não tem mais nada para ouvir de nós. Já falamos tudo para ele em Brasília?, frisou. Segundo os grevistas, o grupo formou-se de forma espontânea. ?A gente prefere sair daqui no caixão a ver caixões saírem do campo. Agora, se algum de nós morrer, a culpa é de Gino César e do deputado Paulão?, afirmou Edir Paulo. A greve, de acordo com os onze voluntários, é por tempo indeterminado. O MST está acampado na praça Sinimbu há 19 dias. Enquanto os grevistas permanecem dentro do prédio do Incra, que tem a entrada controlada por um dos trabalhadores com um cassetete nas mãos, a praça Sinimbu é tomada pelas moscas. Quem passa pelo local não aprova a idéia da ocupação pelos manifestantes. O operador de processos industriais Adelson José da Silva, 32 anos, enquanto esperava o ônibus num ponto em frente ao acampamento do MST, expressou sua opinião, com revolta. ?O que está acontecendo em Maceió é uma grande falta de respeito à população, aos comerciantes que não trabalham mais tranqüilos. O MST acha que a causa deles é a única no mundo, e o resto que se dane?, desabafou Adelson. Telão Já na Praça do Centenário, no Farol, a ocupação foi feita pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), desde segunda-feira, dia 14. Com clara posição de apoio ao governo e ao Incra, os cinco mil trabalhadores que estão acampados, à noite se reúnem para assistir DVDs, num telão montado, entre as árvores da praça. Todas as noites há shows em DVD. Anteontem a atração foi a banda Calcinha Preta; ontem, Luiz Gonzaga e Os Trapalhões. O líder do MLST, Marcos Antônio da Silva, o Marrom, explicou o fato: ?Também somos gente e gostamos de nos divertir. Eu sei que lá [na Praça Sinimbu] eles dançam forró todos os dias e ninguém nunca falou nada?, defendeu-se, explicando que o equipamento é alugado e custa menos de R$ 100 por noite. ?Somos cinco mil e rachamos as despesas. Cada um contribui com centavos?, afirmou Marrom. ### Ouvidor nacional é esperado para hoje A comissão criada pelo Conselho de Justiça e Segurança Pública para tentar acabar com o impasse entre o Movimento dos Sem-Terra (MST) e a superintendência do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), faz uma visita hoje, às 11h da manhã, à Praça do Centenário, no Farol, onde estão acampadas famílias do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) e Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). Estes movimentos apóiam a permanência do superintendente do Incra alagoano, Gino César. Ontem, no final da manhã, MLST e MTL estiveram reunidos com a comissão, na sede do Ministério Público Estadual (MPE). O procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, disse que estava ?dialogando com todos os movimentos?, mas ?não tem ingerência política sobre a questão do Incra?. O coordenador estadual do MLST, Marcos Antônio da Silva, o Marrom, afirmou a posição dos dois grupos em relação aos últimos acontecimentos envolvendo os sem-terra em Alagoas. O MST, acampado na Praça Sinimbu, no Centro, exige a saída do superintendente, alegando que a direção do Incra em Alagoas está privilegiando outros movimentos. A comissão é formada por cinco membros, que representam a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conselho Estadual de Direitos Humanos, Ministério Público Estadual e igrejas evangélicas. Antes da reunião do Conselho, ontem, na sede do MPE, MTL e MLST fizeram outra reunião, desta vez com o secretário de Agricultura, Severino Leão. Na pauta, a distribuição de 10kg de sementes a cada família assentada, assistência técnica e assessoria especial, ou seja, apoio para as plantações no campo. Ouvidor nacional O ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino Silva, tem chegada prevista para hoje pela manhã a Maceió. Segundo sua assessoria em Brasília, o ouvidor poderia embarcar no último vôo de ontem e chegar esta madrugada, por volta de 1h30, mas nada estava confirmado. De acordo com a assessoria do Incra em Alagoas, o ouvidor tem reunião marcada com Gino César, por volta das 10 horas. Logo após, conversa com o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, e com as lideranças do MST. (OR)

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