Política
Na C�mara, vereadores pedem cautela
A revelação do prefeito Cícero Almeida não foi tema dos discursos dos vereadores da oposição nem da situação, ontem no plenário da Câmara. Mas, ao tomarem conhecimento dos números divulgados, os dois lados pediram cautela. O líder do prefeito na Casa, vereador José Márcio (PTB), foi um dos primeiros a sugerir ?cuidado?. Oriundo da área tributária e fiscal, ele disse não ter surpresa com os quase R$ 500 milhões em dívida herdados pelo prefeito Cícero Almeida. O vereador explicou que a dívida corresponde a financiamentos externos, precatórios, dívidas trabalhistas e ainda com a Previdência Social. Os valores reais da dívida, segundo Zé Márcio, já são conhecidos e estão inseridos no Orçamento do Município. O líder do prefeito evitou fazer alarde sobre os números divulgados, ?para não cometer injustiças?. ?Prefiro esperar os dados oficiais?, considerou Zé Márcio. Quanto aos levantamentos feitos pelo Iprev, ele adiantou que aguarda o balanço financeiro de 2004 para identificar qual a situação do instituto. Seu colega de partido, vereador Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca (PTB), não desconsiderou as informações divulgadas pelo prefeito, mas só se posicionará depois que conhecer os documentos. ?Não é que não exista o que ele está divulgando, mas acho que as revelações poderiam ser feitas de outra maneira?, declarou o vereador, fazendo referência aos relatórios que estão para ser divulgados pelo prefeito. Processo A oposição também evitou fazer a defesa antecipada da antiga gestão. O vereador Marcelo Malta (PCdoB), ao invés disso, optou por sugerir ao governo que, ao invés de falar dos problemas encontrados, ?aponte as soluções que já estão sendo encaminhadas?. Falando de forma técnica, Malta acrescentou que problemas administrativos acontecem em qualquer esfera. ?A diferença está na forma de administrar. Por isso, acho que está na hora de mostrar trabalho?, enfatizou o vereador. Para Marcelo Malta, os números apresentados não contam ainda com um levantamento preciso. Segundo ele, nem o prefeito conhece os dados reais; por isso, não apresenta números exatos. Ele alertou ainda para a responsabilidade das declarações do prefeito. Em sua avaliação, dependendo da intensidade e do alcance, ele pode até estar sujeito a processo. ?Revelações dessa natureza só devem ser feitas quando as informações não forem mais controversas?, observou Malta. Espera Na Câmara, o clima é de espera. O vereador Marcos Alves (sem partido) disse que é cedo para se posicionar sobre o assunto. Alves adiantou que quando os dados forem divulgados, e se incluírem secretarias, seus titulares deverão ser convocados para prestar esclarecimentos. ?A convocação é a forma mais imediata de levantarmos informações?, disse. (MR)