Política
Sem-terra invadem Walmap e levam documentos
ODILON RIOS Cerca de 50 mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram o edifício Walmap, no Centro de Maceió, que abriga em dois andares a antiga sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas. Os sem-terra levaram documentos referentes a processos de desocupação de áreas agrárias em Alagoas e teriam agredido dois jornalistas, porque eles flagraram uma funcionária do órgão que teria sido mantida refém pelos movimentos. O caso dos documentos e as ameaças aos jornalistas foram denunciados à Secretaria de Defesa Social, à Polícia Federal e ao Sindicato dos Jornalistas. A situação foi relatada ontem ao ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho. Hoje, às 9h horas, está prevista uma reunião entre a direção do Incra e o ouvidor, para discutir sobre a documentação levada e o impasse entre MST e a superintendência do órgão. Às 10 horas, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), será a vez do MTL, MLST e a Ceapa discutirem a pauta técnica, também com o ouvidor agrário. Estes movimentos pedem a permanência de Gino César no Incra e estão acampados na Praça Centenário. Segundo a assessoria de Comunicação do Incra, não se tem idéia dos prejuízos materiais nem quantos documentos foram levados. ?Além do setor de contabilidade, existiam também processos da área administrativa?, avaliou o assessor de imprensa do Incra, José Carlos. Em dois andares do Walmap já funcionou a sede do Incra alagoano, que adquiriu há 17 meses outro prédio, na Praça Sinimbu, ocupado há 19 dias pelo MST. No Walmap hoje estão concentradas a divisão administrativa, recursos humanos, a contabilidade, a procuradoria, a cartografia e a sala dos engenheiros agrônomos do Instituto. No prédio da Sinimbu funciona a área operacional, o protocolo, a superintendência, a ouvidoria e o cadastro rural. ### Papéis só serão devolvidos com saída de Gino A coordenadora estadual do MST, Vânia Silva, assumiu a invasão ao Walmap, mas disse que ela ocorreu de maneira pacífica. ?Não houve agressão aos jornalistas. Foi pedido apenas que eles se retirassem?, disse. Segundo a coordenadora, os documentos levados do Incra só serão devolvidos se ?o superintendente do órgão, Gino César Menezes, renunciar ao cargo?. O procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, disse que os acusados pela invasão do Walmap poderão responder a processo por apropriação indébita na Justiça. Ontem, enquanto ocorria a reunião entre o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), o MST organizou uma passeata no Centro de Maceió, pedindo paz. A passeata tinha cerca de 300 pessoas, com a participação da Igreja Católica, movimento estudantil e sindicatos que apoiam a saída do superintendente do Incra alagoano. O percurso foi das Praças Sinimbu aos Martírios, em frente ao Palácio Floriano Peixoto. Nos Martírios, foi realizada uma missa, com a presença do arcebispo de Maceió, Dom José Carlos. A passeata foi realizada dois dias depois que MTL, MLST e Ceapa, acampados na Praça Centenário, realizaram um ato semelhante, distribuindo até rosas na cidade. Também ontem o governador em exercício Luis Abílio de Sousa (PSB) se reuniu com o ouvidor agrário nacional, Gercino Silva, voltou a pedir paz e disse solicitou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva rapidez nas negociações. O governo alagoano optou pela neutralidade e entregou a questão do impasse entre Incra e MST ao ouvidor agrário. ?Não perguntei ao governador qual a posição do governo sobre o MST, nem isso me interessou?, disse Gercino, depois de ser perguntado sobre o resultado da reunião com Abílio, que, antes da vinda do ouvidor, enviou ofícios ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e ao Incra Nacional informando o clima de tensão em solo alagoano. (OR)