Política
PSB se desentende com PDT e come�a a investir no PHS
ODILON RIOS O clima de ?paz e amor? propagado na transição de membros do PSB para o PDT em Alagoas ? novo partido do governador Ronaldo Lessa - não existe mais. Os pessebistas não estão conseguindo se entender com os pedetistas e começam a se articular para entrar em um outro partido pequeno: o PHS. E com aval de Lessa. A insatisfação é tanta que a lista de pessoas com passagem marcada para migrar para o PDT está se esvaziando. Deputados, prefeitos, vereadores e até secretários de Estado não aceitam entrar no PDT sem a promessa de ascenderem politicamente no partido. O estopim teria sido o comportamento do presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, perante o secretário-executivo de Educação, Maurício Quintella. Quintella assinou a ficha de filiação no PDT em 10 de fevereiro com o governador Ronaldo Lessa e com o deputado federal Jurandir Bóia. Há duas semanas, Sampaio ?puxou as orelhas? de Quintella porque ele teria assumido a função de porta-voz do PDT, ao anunciar que o governador de Alagoas ocuparia um cargo de destaque nacional no partido. A eleição da nova executiva nacional será realizada amanhã, no Rio de Janeiro. Lessa estará presente. Sampaio é quem queria fazer o anúncio, e não um novo membro pedetista aliado do governador. Sampaio e Quintella negam, mas, segundo apurou a GAZETA, a ligação telefônica do presidente estadual do PDT gerou mal-estar no governo, causando rebelião em membros do PSB. Por conta disso, ao invés de ingressarem no PDT, assinariam a ficha de filiação no PHS. Estratégia Essa estratégia não é nova: o próprio governador, pouco antes de entrar no PDT, adiantou à imprensa que estaria fortalecendo, com cargos estaduais, partidos da base aliada para que pudesse escolher em qual deles ingressaria. Nesse ínterim, ganharam espaço na administração estadual o PV, o PCdoB, o PCB, o PL e o próprio PDT. Prova destas articulações é que o secretário regional do PSB, Wellisson Miranda, e sua irmã e diretora do Procon, Wedna Miranda, mudaram de idéia: ao invés de ingressarem no PDT, vão para o PHS. ?É um partido em crescimento?, avaliou Wellisson, sem querer entrar em detalhes sobre a mudança repentina. Mais dois secretários de Estado estariam ?pensando? na proposta, mas sem nada confirmado. Outro problema entre os membros do PDT e do PSB seriam os números: dos onze integrantes do PDT alagoano, apenas três aliados de Lessa participam da Executiva Estadual: o próprio governador, Quintella e o deputado federal Jurandir Bóia. Os pessebistas que entrariam a reboque teriam pouca voz no partido e não mexeriam em algumas posições, como a presidência, ocupada por Sampaio, ou em membros da Executiva Estadual ou Nacional da legenda, como Corintho Campelo da Paz e Heth César Bismarck, cargos que estariam sendo disputados pelos novos pedetistas. ?Essas coisas não existem?, disse Sampaio. ### Estratégia tem aval de Lessa A estratégia para abrigar os membros rebelados do PSB estaria sendo analisada pelo governador alagoano. Para 24 de abril está programada a eleição do PHS em Alagoas, mas já existiria um ganhador antecipado: é o empresário do ramo de doces Antônio Lessa, irmão do governador e marido de Wedna Miranda. Antônio era filiado ao PPS, mas estaria sendo convencido a ingressar no PHS. A GAZETA tentou localizá-lo, mas foi informada de que ele estava em Natal (RN). O acordo teria sido feito nacionalmente entre o governador e o PHS nacional, e a tentativa seria a de convencer a atual presidente alagoana da sigla, Nadeje Amália do Nascimento, a não se candidatar à reeleição e aceitar um cargo na diretoria do partido. ?Sou candidata à reeleição?, disse Nadeje à GAZETA, na quinta-feira, 17. ?O governador tem simpatia pelo PHS. Nos coloca como partido aliado de primeira hora?, resumiu, sem confirmar a estratégia nacional ou a entrada do PSB alagoano no PHS. ?Se existir isso, todos passam pelo curso de formação política?. Só que a GAZETA apurou que tudo está arquitetado e Nadeja não iria concorrer à reeleição, deixando o espaço para Antônio Lessa. O governador já teria sido chamado a ocupar a presidência nacional do PHS, mas teria recusado o convite. O PHS é um dos inúmeros partidos nanicos que estão na base do governo estadual. Possui quatro cargos (três no Instituto do Meio Ambiente e um na Secretaria de Assistência Social), mas tem um trunfo na manga: a presidência da União dos Vereadores de Alagoas (Uveal). O único vereador do partido, Cláudio Roberto Costa, ganhou a eleição realizada no mês passado. Lessa estaria costurando nos bastidores a reaproximação com a Uveal, depois que seu grupo político sofreu uma derrota com o candidato Toninho Lins, que teve 253 votos, contra 346 de Costa. Nacionalmente, o PHS tem três deputados estaduais, 26 prefeitos e 31 vereadores, mas possui uma trajetória política confusa: foi fundado em 1989, mas, na eleição presidencial da época, acabou se dividindo. Quando foi fundado, chamava-se Partido Democrático Cristão (PDC). Após a cisão, Partido Humanista Democrático-Brasil (PHD-B). Depois de mudar de nome várias vezes, em 9 de janeiro de 2000, passou a se chamar PHS. O partido elegeu seu primeiro prefeito alagoano em 1996, quando era registrado como Partido da Solidariedade Nacional (PSN): a cidade foi Palmeira dos Índios e a prefeita Maria José do Nascimento. Como PHS, segundo o seu programa, baseia seus princípios no humanismo cristão no campo político, mas parece não ter uma posição muito clara quando o assunto é a dívida externa brasileira. ?O endividamento público é considerado como uma forma de financiamento do crescimento econômico?, atesta seu programa, disponível na internet. Além disso, defende uma reforma agrária a ?baixo custo? e o fortalecimento do Estado, em contraposição à fórmula neoliberal. (OR)