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MST: ouvidor vai embora sem resolver impasse

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ODILON RIOS O ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, vai tentar, em Brasília, resolver o impasse entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas. A decisão do desembargador foi adiantada ontem pelo governador em exercício, Luis Abílio (PSB), antes de uma solenidade no Palácio Floriano Peixoto de reconhecimento de comunidades quilombolas. ?O desembargador disse que teria uma reunião com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra nacional e que tentaria conversar com direção nacional do MST?, disse Abílio. Ainda de acordo com o governador em exercício, ?há a possibilidade? de que Gercino retorne ao Estado ainda esta semana. ?Poderá ser amanhã [hoje], mas depende de como as coisas irão ser encaminhadas?, resumiu. A assessoria de imprensa do Incra nacional confirmou um encontro, ontem, entre o ouvidor agrário e o presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, para falar sobre a visita dele a Alagoas, mas não estabeleceu horário. ?O presidente [do Incra] irá recebê-lo, mas não tem horário definido?, afirmou a assessora Kátia Vasco. Gercino José esteve na semana passada em Alagoas, mas não obteve êxito nas negociações com o MST. A Ouvidoria Agrária Nacional defende a permanência do superintendente do Incra, Gino César, mas o MST quer a exoneração ou transferência de César do cargo. Durante sua estada em Maceió, o desembargador ouviu Gino César e sugeriu que ele continuasse tocando os processos de desapropriação de terras no Estado. Segundo o assessor de imprensa do Incra local, José Carlos, em 15 dias, três áreas do Sertão, que foram adquiridas pelo Incra na modalidade compra e venda, serão repassadas ao MST. ?Quando as escrituras estiverem nas mãos do Incra, em um mês as famílias estarão assentadas?, revelou. Segundo o assessor do Incra, também em alguns dias o processo de desapropriação dos 21 mil hectares da fazenda Agrisa, do empresário Nivaldo Jatobá, será enviado à União para que as terras sejam distribuídas entre quatro movimentos: a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), além do próprio MST. ?As terras na Agrisa poderão assentar três mil famílias?, numerou José Carlos. Ainda no final de semana, Gercino convenceu os movimentos que estavam acampados na Praça Centenário a retornarem ao interior do Estado. Estes movimentos estavam em Maceió dando apoio à superintendência do Incra. O ouvidor também conversou com o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, sobre a situação alagoana, inclusive sobre o grupo de mulheres do MST que levou documentos da sede do Incra, no edifício Walmap, no Centro de Maceió. Ao contrário do que declarou à imprensa, o procurador disse que os acusados poderiam responder não por apropriação indébita de documentos, mas por subtração de documentos.

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