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C�mara faz sess�o para ouvir somente o MST

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ODILON RIOS Depois de 24 dias de protestos feitos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contra a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Alagoas, a Câmara Municipal de Maceió realizou, ontem pela manhã, atendendo proposta do vereador Marcelo Malta (PCdoB), uma sessão pública para discutir a situação. Após discussão, os vereadores decidiram enviar uma carta ao governo estadual e ao Incra alagoano, pedindo agilidade nas negociações com o MST. ?Esta sessão aconteceu para termos conhecimento da situação entre MST e Incra estadual?, resumiu o presidente da Mesa Diretora, Arnaldo Fontan (PFL). Dos 21 vereadores, apenas seis estiveram presentes à sessão: Arnaldo Fontan (PFL), José Márcio (PTB), Judson Cabral (PT), Marcelo Malta (PCdoB), Francisco Holanda (PL) e Alan Balbino (sem partido). Marcelo Malta, autor da proposta, é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Para evitar confronto entre o MST e o Incra, membros do Instituto não foram convidados para a sessão, mas nos próximos dias serão ouvidos pelos vereadores ?Fizemos esta sessão para escutar os movimentos?, justificou Judson Cabral. Máquina emperrada Na sessão, o coordenador nacional do MST em Alagoas, José Roberto, disse que o movimento ?não irá voltar para o interior enquanto a situação não estiver resolvida?. O movimento exige a saída do superintendente do Incra, Gino César Menezes. Apesar de ele [Gino] dizer que fez um trabalho imenso no Incra, na roça não vemos isso?, disse José Roberto em plenário. ?A única coisa que nós vemos é uma ingerência política muito forte. Eles ficam tentando jogar movimento contra movimento, trabalhador contra trabalhador?, contou o coordenador do MST. Em entrevista na semana passada à GAZETA, o superintendente do Incra alagoano afirmou ter assentado 925 famílias em 2004, com a promessa de 2.500 no primeiro semestre deste ano. Há nove dias, onze lideranças do MST estão em jejum pedindo a queda do superintendente do Incra alagoano. ?Chegamos a isso porque para nós não restou outro caminho a não ser morrer de fome para uma solução mais concreta sobre a reforma agrária?, argumentou, comparando o Incra alagoano a ?uma máquina que não anda, não avança, que precisa ser mais azeitada com recursos e mais funcionários?. Depois da sessão, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, vereador Marcelo Malta, pediu que o presidente do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, Gilberto Irineu, visitasse a Praça Sinimbu. Lá, segundo Irineu, foi constatado ?um problema de saúde pública?. ?As crianças estão com diarréia, com febre e não estão se alimentando direito?, informou. ### Trabalhadores fazem mais um protesto contra Gino Enquanto a Câmara Municipal de Maceió realizava a sessão pública para discutir a situação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Maceió, mais de dois mil integrantes do movimento fizeram um protesto diante do edifício Walmap, no Centro da cidade, pedindo a saída do superintendente do Incra, Gino César. O Walmap abriga parte do escritório alagoano do Instituto. No prédio e com um carro de som, eles discursavam para a multidão, quase indiferente. Tinham ainda o apoio do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), que aproveitou a ocasião para convocar uma reunião da categoria para o dia 31 de março, com ameaças de greve. Para evitar a invasão do prédio, como na semana passada, a Polícia Militar montou uma barricada com quatro PMs, mas o protesto terminou pacificamente e os trabalhadores voltaram no começo da tarde à Praça Sinimbu, onde estão acampados. No saguão do edifício estavam as onze lideranças do MST, em greve de fome há nove dias. Praticamente carregadas na passeata, eram utilizadas como símbolo de resistência. ?Eles não agüentam mais?, dizia Hercílio Leandro, da direção estadual do MST. (OR) ### Em meio à crise, CPT pede recursos No final da tarde de ontem, representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) se reuniram com o governador em exercício, Luis Abílio de Sousa (PSB), para reivindicar melhorias para acampamentos e assentamentos. O impasse entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Alagoas veio à tona. Segundo o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima, o movimento defende o bom senso. ?Se o Gino [César ? superintendente do Incra] deve ficar ou sair, não importa. Queremos discutir a questão agrária?, completou. Ele diz que a CPT tem informações de supostas articulações da Polícia Federal, que teria aumentando seu efetivo nos últimos dias. ?Tememos que isso seja para cumprir a reintegração de posse do prédio do Incra?, avaliou. O mandado de reintegração de posse deveria ter sido cumprido há duas semanas, mas foi suspenso por determinação do Incra nacional. O governador em exercício Luis Abílio descartou a idéia defendida pela CPT. ?Não existe essa possibilidade?, disse. No encontro com Abílio, a CPT reivindicou a liberação de 16 ônibus, recursos para cartilhas, sementes, apoio a projetos nos acampamentos e assentamentos do movimento, recursos para artistas populares e implantação de uma escola itinerante, com uma horta. Segundo Lima, o governador se comprometeu a cumprir toda a pauta. Negociações Ontem, a assessoria do Incra nacional informou que o ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino Silva, não virá mais a Alagoas. A decisão saiu depois de uma reunião com o Incra e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). De acordo com a assessoria, a situação alagoana está sendo resolvida por meio do governo federal, com a ação do ministério e o instituto, em uma conversa com as lideranças nacionais do MST, mas não existe prazo para o encerramento das negociações. Em conversa com a GAZETA, por telefone, o superintendente do Incra alagoano, Gino César, disse que tem tido contato todos os dias com o presidente do Incra, Rolf Hackbart. ?Ele me pergunta sobre a situação de Alagoas e ao mesmo tempo me diz que as negociações ainda continuam com o MST nacional?, disse. ?Mas, a minha saída, como querem os movimentos, está fora de pauta?, completou. Do outro lado, no MST, o coordenador nacional do movimento, José Roberto, argumenta que as negociações não avançam. ?Tenho contato de hora em hora com o MST nacional e eles me dizem que o ministro [Miguel Rossetto, do MDA] se nega a receber todo mundo?. Em Brasília, a assessoria do ministro nega, afirmando que Rossetto está à disposição do MST, mas que a saída de César do Incra é um ponto ?fora de discussão?. (OR)

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