Política
PMs amea�am panela�o contra o governo
MARCOS RODRIGUES A proposta de reajuste de 10% para a Polícia Civil, PM e Corpo de Bombeiros, apresentada esta semana pelo governador em exercício Luis Abílio de Sousa (PSB) não foi aceita. A posição oficial das categorias será tomada na quarta (30), mas já existe um indicativo da realização de um ?panelaço? pelas ruas da capital. O ato será realizado na sexta-feira (1º) por militares sem farda, esposas e filhos, além de pensionistas e aposentados, para evitar punições disciplinares. A mobilização, se for realizada, será a maior já ocorrida. As cinco associações da PM (Oficiais, Subtenentes, Cabos e Soldados, Pensionistas e Inativos) farão uma assembléia unificada, a fim de acertar os detalhes. O motivo da discórdia são os percentuais. Os PMs queriam 19%, baixaram para 16%, mas lhes foi anunciado um reajuste de 10%. Com a oficialização da proposta do governo, os militares articulam a reação. Segundo um dos organizadores da mobilização, major Eduardo Lucena, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar, a categoria pretende alertar que o aumento proposto pelo governo é insuficiente. ?Desde o início das negociações mostramos, inclusive, com dados, como poderíamos ser atendidos e comprovamos por que precisávamos do reajuste?, explicou Lucena. Em sua avaliação, não resta alternativa senão o protesto. ?O objetivo é chamar a atenção da sociedade para o problema salarial da PM e mostrar que um policial mal remunerado não produz resultados?, diz. Voluntariado O presidente da Associação dos Oficiais da PM acrescenta que também tentou convencer o governo a desistir da idéia do concurso para contratação de 600 soldados voluntários. A idéia da entidade é que o governo repassasse para os militares os recursos investidos para a seleção e pagamento dos soldados e bombeiros voluntários. Os militares alegam que levantaram todas as informações sobre os estados que adotaram o sistema de voluntariado. O levantamento, segundo dizem, apontou falhas na operacionalização e resultados deficientes. ?Onde existe, deu problema. No caso do Rio Grande do Sul, além da ineficiência, constatou-se que a manutenção onera o Estado?, sustentou Lucena. Apoio Os militares em atividade contarão com o apoio dos inativos e das pensionistas. As duas categorias se dizem duramente penalizadas e reclamam das despesas por conta dos cuidados com a saúde e alimentação diferenciada, que, segundo elas, pesam no orçamento doméstico. A presidente da Associação da Pensionistas, Lúcia Sarmento disse que o governo não tem uma data-base para a categoria. ?Na verdade estamos sem reajuste há um ano?, esclarece. ### Policiais civis também insatisfeitos A insatisfação com o aumento de 10% proposto pelo governo do Estado também atinge os policiais civis. A revolta da categoria é ainda maior, porque, segundo o sindicato, há dez anos os policiais não têm ganho real nos salários. O sindicato alega que durante toda a gestão do governador Ronaldo Lessa (PDT), os ?enfrentamentos? só garantiram reposições das perdas provocadas pela inflação. Segundo o diretor de Planejamento do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), José Carlos, a proposta do Executivo criou uma divisão dentro da Polícia Civil. ?É como se o governo estivesse criando duas polícias: uma que atua nos bairros de elite e outra que vive as más condições de trabalho das delegacias da periferia?, afirmou o sindicalista. A polêmica aumentou depois que eles constataram que, dos R$ 1.320 pedidos para um policial em início de carreira, foram garantidos R$ 950. Esse será o valor para um policial que trabalha das delegacias comuns. Além da queda do valor real reivindicado, os policiais civis também ficaram sem o adicional noturno. Para os policiais que atuam no Grupamento Tático Integrado (Tigre) e na Operação Litorânea (Oplit), a realidade salarial é outra. Segundo a tabela apresentada pelo governo, o salário inicial será de R$ 1.320. Uma outra queixa do sindicato envolve o não-cumprimento da data-base da categoria, prevista para o mês de agosto. A última vez que os policiais foram beneficiados foi em 2003, quando obtiveram 6% de reajuste. Ano passado, nada foi repassado. (MR)