Política
Oposi��o cobra atitude radical; governo minimiza
ODILON RIOS De um lado, o deputado federal Thomaz Nonô (PFL) atira pedradas nas vidraças do governo estadual. Do outro, os tucanos, que até janeiro freqüentavam o Palácio Floriano Peixoto, reclamam da ?conversa de surdos? entre o governo estadual e o governo federal na solução do impasse entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ?O governo estadual está acomodado, esperando que tudo seja resolvido, e o governo federal é lerdo, moroso?, diz o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), provocando: ?Acho que está faltando articulação com o governo federal. O governo estadual ficou mal acostumado quando tudo era trazido no colo?, disparou Téo, lembrando dos tempos em que ainda era parceiro do governador Ronaldo Lessa (PDT), no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ?O governo está agindo certo na não-violência, mas o governo estadual deveria estar puxando o casaco do governo federal?, considerou o senador, sem citar o nome de Lessa. O também tucano Helenildo Ribeiro cobrou uma atitude do governo estadual, acusou o MST de ?estar recebendo benefícios do governo? e defendeu o uso da força: ?Tem que ter uma ação do Estado, com a força federal, para tirá-los dali?, disse, referindo-se à Praça Sinimbu, onde o MST está acampado há quase um mês. O PSDB ocupou até janeiro deste ano uma vaga na Secretaria Estadual de Saúde, mas acabou perdendo espaço para a ex-prefeita Kátia Born (PSB). O PSDB resolveu não aceitar mais nenhum cargo do governo estadual, não sabe se é oposição ou situação no cenário estadual, só que exibe três pré-candidatos ao governo: Téo Vilela, a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, e o empresário João Tenório. Contra-ataque Do outro lado da maré, o PSB contra-ataca. Semana passada, em declaração à imprensa, o governador em exercício, Luis Abílio, chegou a chamar de ?politiqueiras? as afirmações do deputado Thomaz Nonô sobre a atuação do governo com o MST. O deputado federal Jurandir Bóia (PSB) defendeu a pacificação, mas atacou o governo federal: ?Enquanto não existir reforma agrária, continuaremos a ter sem-terra?, analisou, chegando a chamar Nonô de ?remanescente da ditadura?: ?Foi uma declaração de cunho político?, disse, e condenou o pedido de Helenildo: ?Isso aqui não é o Iraque para ter banho de sangue?. O PMDB, ao lado dos dois governos (tanto federal quanto estadual) parece viver uma crise de identidade resumida em uma declaração do deputado federal Olavo Calheiros (PMDB): ?Não tenho nada a declarar, não sei de nada?. ### ?Quem pariu Mateus que o balance? Apesar de o PPS estar na Prefeitura municipal, pelo menos em tese na oposição ao governo estadual, e alimentar um discurso de linha dura com o governador Ronaldo Lessa (PDT), o deputado federal Rogério Teófilo (PPS) preferiu não temperar as críticas na questão dos sem-terra. ?Acho importante que o governo mantenha o canal de diálogo?, resumiu. Segundo ele, ?o governo deveria pressionar o governo federal e acelerar as negociações, por meio de audiências públicas com representantes do governo federal?. O deputado disse ainda que na semana que vem vai ?provocar? o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ?para cobrar soluções?. Profético Também em ritmo de 2006, o deputado federal João Caldas (PL), cujo partido possui três cargos na estrutura estadual, foi profético: ?O feitiço virou contra o feiticeiro?. A explicação: ?Quem deu corda para tudo isso que está aí chama-se Ronaldo Lessa, [a senadora] Heloísa Helena [P-Sol] e a [secretária de Saúde] Kátia Born?, resumiu, sem entrar em detalhes. ?Quando eu era deputado estadual, eu previ tudo isso, que esse povo [Lessa, Born e Helena] estava implementando os sem-terra. Não defendo a força, mas isso é problema de quem criou. Quem fez, sabe desmanchar. Quem pariu Mateus que o balance?, completou. Apesar de Caldas estar no governo estadual, ele alimenta simpatias pelo deputado federal João Lyra (PTB), do lado oposto. Em conversa com a GAZETA, Kátia preferiu acreditar que Caldas falou ?da maneira humanitária? com a qual ela vem tratando o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). ?Defendo a solução pacífica; enquanto isso, enviamos assistência médica e medicamentos porque não queremos que ninguém morra?, afirmou. P-Sol A GAZETA tentou conversar com a senadora Heloísa Helena, sem êxito. Ela chegou a ser acusada pelo atual superintendente do Incra de Alagoas, Gino César, mas sempre refutou as acusações. Lançada candidata à Presidência da República pelo P-Sol, em Alagoas, o partido poderá se juntar ao PSTU e teria um nome forte para barrar o avanço dos petistas, hoje aliados do governo estadual: Mário Agra, ex-superintendente do Incra, visto com bons olhos pelos membros do MST. Convites do governador Ronaldo Lessa para participar do governo não são aceitos. ?Nunca fui a favor dessa política de distribuição de cargos para garantir fidelidade?, disse, há duas semanas, à Rádio GAZETA. (OR)