Política
Jurados de morte recebem solidariedade
ODILON RIOS Repórter O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) e a Secretaria de Defesa Social (SDS) participaram, ontem, de um mutirão organizado pela Associação Alagoana dos Magistrados (Almagis) no município de Piaçabuçu, litoral sul do Estado. Cerca de 50 pessoas, entre juízes e promotores, foram à cidade manifestar solidariedade ao juiz Maurício Brêda e ao promotor Luiz Antônio Santos, ameaçados de morte por investigar pelo menos 15 crimes de homicídio praticados no município e que teriam envolvimento de figuras influentes na região. A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB-AL) e a Polícia Federal também estiveram no município para reforçar a solidariedade ao juiz e ao promotor. ?Essas instituições não toleram esse tipo de expediente, de ameaças às autoridades constituídas do Estado?, disse o presidente da Almagis, Fernando Tourinho Filho. O Ministério Público Estadual e o Tribunal de Justiça pediram à Secretaria de Defesa Social reforço na segurança do juiz e do promotor, que andam em Piaçabuçu escoltados por dois policiais. Além disso, delegados da região também foram trocados, para agilizar a apuração dos crimes. Ainda assim, o promotor sugeriu a presença de um delegado especial na cidade para investigar integrantes ligados à pistolagem. ?Eu sugeri isso ao Roberto [Lisboa, diretor geral da Polícia Civil]?. Lisboa, por sua vez, retrucou: ?Foi colocado na cidade um delegado com mais experiência. Um delegado especial é para casos especiais? disse, informando que o novo delegado chama-se Emanuel David Freitas Viana. Desbaratada O juiz de Piaçabuçu, Maurício Brêda, e o promotor da cidade, Luiz Antônio Santos, têm conseguido desbaratar uma gangue, com integrantes ligados à pistolagem. Os primeiros membros começaram a ser presos há um mês. Na última terça-feira, segundo o promotor de Justiça, um homem e uma mulher foram encarcerados em Piaçabuçu e em Sergipe, acusados de serem os autores intelectuais dos crimes. ?A sociedade local conhecia quem eram os matadores, mas tinha medo de denunciá-los. Ainda existem mais prisões a serem feitas?, disse o promotor Luiz Antônio Santos. Luiz Antônio não revelou os nomes dos acusados, mas afirmou que estes não têm relação com os ?poderosos? do município. ?Essas prisões não têm nada a ver com política. Os que estão presos são os autores materiais e intelectuais de pelo menos 15 homicídios?, afirmou. O juiz Maurício Brêda não quis se pronunciar sobre o assunto porque vai julgar os casos, mas garantiu que, agora, o clima na cidade vai ficar tranqüilo.