Política
Aliado do governo, PT enfrenta dilema
ODILON RIOS Repórter Os petistas em Alagoas voltaram a se dividir politicamente, e desta vez o problema é a sucessão estadual em 2006. Enquanto uma corrente do partido defende o lançamento de candidatos próprios ao governo estadual, ao Senado e à Câmara Federal, outra quer fortalecer apenas o projeto de reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de fazerem parte da base aliada do governo do Estado - o PT tem três secretarias no governo Lessa: Trabalho e Renda, Assistência Social e Direitos Humanos - os petistas ainda não saíram do quintal do Palácio. O partido também não tem ?engolido? a nova legenda do governador, o PDT, que faz oposição do governo Lula. No quadro eleitoral, o PT está fora de todas as composições que estão sendo arquitetadas pelo Palácio. O candidato mais cotado, por exemplo, para o governo, é o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB). Isso sem contar com as pré-candidaturas da secretária de Saúde, Kátia Born (PSB), do vice-governador Luis Abílio de Sousa PSB) e do secretário de Educação, Maurício Quintella (PDT). Nem para vice, o PT tem sido cogitado. Essa situação tem irritado alguns líderes que tentam evitar que o PT seja mais uma vez coadjuvante nas discussões para a sucessão. A presidente do diretório municipal do PT, Cláudia Amaral, é um exemplo. ?O PT daqui está esperando demais pelo governo federal?, reclamou. Na eleição municipal, a sigla em Alagoas acabou enfrentando uma cisão interna por não apoiar o nome do candidato governista Alberto Sextafeira à Prefeitura de Maceió, depois que o presidente do diretório estadual do PT, Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, candidato escolhido pelo partido, abriu mão da cabeça-de-chapa para o PT ter a vice. O secretário especial de Pesca em Alagoas, Paulo Nunes, também não gosta da situação de inferioridade petista frente ao governo Lessa: ?O PT está a reboque do governo estadual?, afirmou. Possível candidato ao governo estadual pelo PT, o vereador Judson Cabral diz que o PT ?não pode ficar de camarote nesse processo?. ?Não devemos trabalhar para ser vice de alguém, queremos ter candidato a governador. Não vamos discutir como coadjuvantes?. O delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho, também cobra nomes ao governo e ao Senado. ?Queremos discutir espaços para a majoritária?. Para Coelho, o candidato ao Senado poderia ser avaliado pelo PT. ?O governador é referência, mas a política de aliança deve ser discutida?, destacou, lembrando: ?O que me consta é que o nome do governador Ronaldo Lessa ao Senado nunca foi discutido [no PT]?. O presidente da Companhia Energética de Alagoas, Joaquim Brito, fala em ?aliança ampla, da esquerda ao centro?, mas, no instante de traçar o quadro estadual, o PT acaba ficando dependente de sua estrela maior: o governador Ronaldo Lessa, integrante de um partido de oposição ao Palácio do Planalto. ?Eu defendo o governador ao Senado, mas a questão é se resolver essa situação com o PDT?, esclareceu, dando um ultimato a Lessa: ?Ou ele convence o PDT nacional a mudar de posição ou ele troca de partido até 30 de setembro, que é o prazo dado pela Justiça Eleitoral?.