Política
Lessa enfrenta saia-justa em seu novo partido
ODILON RIOS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) está cada vez mais distante da meta de reintegrar o PDT à base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Semana passada, após participar da reunião com membros da cúpula nacional do PDT, Lessa foi obrigado a escutar, calado, as críticas do partido ao governo federal. ?Houve muita crítica ao governo Lula?, resumiu Lessa à Gazeta. ?Os pontos de pauta que foram discutidos eu concordei?, atestou o governador, avaliando que ?não tinha nada a observar?. Alguns dos pontos abordados, segundo o governador, foram a política econômica, os juros elevados e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 369), que trata da reforma sindical. Depois da saraivada e em um dos raros momentos em que falou, Lessa fez o convite à cúpula do partido para estar dia 30 em Alagoas na filiação de novos membros no PDT. A conversa ocorreu durante a reunião da Executiva Nacional do PDT, terça-feira (12), em Brasília. Depois do encontro no PDT, que durou seis horas, Lessa reconheceu à Gazeta, por telefone, que ?não há clima para tratar da aproximação com o governo federal?, embora tenha admitido que entrou no PDT com o objetivo de aproximar a legenda do Palácio do Planalto. Perguntado se havia se arrependido da troca de partido, Lessa respondeu sorrindo: ?Não, não?. O governador terá de definir se muda ou não de partido até outubro, por causa dos prazos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mudança de legenda e domicílio eleitoral, por exemplo, deve ocorrer um ano antes das eleições, programadas para outubro de 2006. No xadrez eleitoral, Lessa é candidato ao Senado. ?Saia-justa? A ?saia-justa? em que foi colocado o governador foi reforçada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. ?Esse assunto [a posição do PDT em relação ao governo Lula] não tem o que discutir mais. Esse ponto não entra nem em pauta?, disse Lupi à Gazeta, lembrando que, no mês passado, o PDT tomou a sua decisão sobre o governo federal. O secretário-geral do PDT, Manoel Dias, foi mais enfático ainda: ?Ele [o governador] é do PDT e deve seguir a linha do PDT?, disse, acrescentando que quando Lessa assinou sua ficha de filiação, em 10 de fevereiro, teria dito que não era aliado do governo Lula. ?Ele acredita que o governo pode mudar, assim como nós acreditamos?, analisou. ?O partido é oposição independente?, resumiu. O líder do PDT na Câmara dos Deputados, Severiano Alves (BA), informou, por meio de sua assessoria, que o partido tem a orientação de votar a favor dos projetos de interesse do PDT e contra, caso contrário. O partido diverge da política econômica e social do governo federal, discurso que recheou a eleição do novo diretório nacional no mês passado, sem a presença de Lessa. Sem sorte Fato é que o 12, número eleitoral do PDT, parece não ter trazido muita sorte a Lessa. Depois que entrou no partido - em 10 de fevereiro - , uma onda de maus agouros circunda o Palácio. Além de ter se submetido duas vezes a uma cirurgia no nariz por causa de um pêlo encravado, o governador alagoano ainda não conseguiu efetivar as novas filiações partidárias cantadas e decantadas. Mesmo assim, pela quarta vez, e se o astral ajudar, o PDT anunciou para o dia 30 a grande festa de filiação de seus novos membros, mas com uma perspectiva bem menor do que a legenda esperava. Parece que a idéia de misturar no mesmo caldeirão prefeitos e vereadores de vários partidos não deu muito certo. Os articuladores do governo terão de elaborar o ?listão? dos aprovados pelo governador para se filiarem ao PDT, uma relação em que poucos queriam constar, depois que conheceram o funcionamento das engrenagens no partido de Lessa.