Política
Bancada aposta no fim da verticaliza��o
ODILON RIOS Repórter Apesar de ainda ser um tema aparentemente distante da agenda política de 2006, a verticalização das coligações partidárias começa a mobilizar a bancada federal alagoana. Os parlamentares querem se unir para derrubar a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pela verticalização, os partidos que apóiam juntos um candidato à Presidência da República devem se coligar também nos estados A reclamação geral em torno da verticalização é que ela não respeitaria a geografia política dos estados. Por exemplo: PT e PTB são aliados do governo federal, mas em Alagoas os petistas e os petebistas são adversários ferrenhos. Evitando falar em sucessão estadual, mas reconhecendo que ?sonha em chegar ao governo?, o deputado federal João Lyra (PTB), que comanda o grupo político que está à frente da Prefeitura da capital, é contra a verticalização: ?É um absurdo?, resumiu. ?Acho que todos nós poderíamos fazer um pacto por Alagoas. Aquela idéia do Renan [Calheiros, presidente do Senado] eu já falava há muito tempo?, avaliou o deputado. A idéia do pacto por Alagoas foi proposta pelo senador, há duas semanas, mas é condenada pela vice-presidente do PSB alagoano, Kátia Born (PDT), porque uniria o PSB, o PT e o PMDB a João Lyra e ao deputado federal José Thomaz Nonô (PFL), que não são benquistos entre os pessebistas. Como as possibilidades de aliar PSB, PTB e PT são remotas em Alagoas, Lyra apimenta ainda mais a discussão: ?Veja só: o governo trocou um técnico competente, que era o Álvaro Machado [ex-secretário de Saúde], pela ex-prefeita Kátia Born. Isso com uma visão eleitoral?, avaliou, criticando os governantes porque ?só pensam na sucessão estadual e em mais nada?. ?Isso é uma crítica aos políticos brasileiros?, desviou. ?Resquício da ditadura? O deputado federal Jurandir Bóia (PDT) também não aceita a verticalização. ?É um resquício da ditadura?, analisou. Ele prefere não acreditar que a medida resista à reforma política, que pode ser votada este ano. Na análise dele, se a proposta continuar a valer ano que vem, ?será uma bagunça política no Estado?. ?Há interesses. A Câmara dos Deputados é uma escola muito boa. As coisas não acontecem como se imagina. Se o projeto passa ou não, é um mistério?, ponderou O deputado federal João Caldas (PL) acredita que a verticalização ?é casuísmo? e diz que a medida é o principal ponto de pauta da reforma política. ?O resto é balela?, resumiu. ?Ferramenta do passado? O vice-presidente da Câmara dos Deputados, José Thomaz Nonô (PFL), também não aceita a verticalização. ?Sou contra esse negócio?, informou, dizendo que ?essa ferramenta do passado não tem vantagem nenhuma?: ?O PMDB e o PT brigam em alguns estados. Como eles vão conseguir conviver??, perguntou. Inquirido se a verticalização seria derrubada ainda este ano com a reforma política, Nonô foi pessimista. ?A minha experiência mostra que isso só aconteceu em ano eleitoral?. O vice-presidente pode presidir a sessão da reforma política, em que a verticalização é um dos pontos de pauta, além da fidelidade partidária. Se presidir a sessão, não poderá votar. Já o presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB), quer a reforma política e o fim da verticalização. ?Ela engessa os partidos e as coligações?, disse o senador, por meio da sua assessoria. O deputado federal Rogério Teófilo (PPS) não é favorável a verticalização e diz que o clima em Brasília é de rejeição à medida. ?Pode-se fazer um processo eleitoral mais democrático. Uma reforma política e partidária, por exemplo?, destacou. ### Mesmo criticada, proposta vingou Em 26 de fevereiro de 2002, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela verticalização, o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que pertencia a uma sigla que na época era oposição ao PT e PSB, sem poder se coligar ao então aliado, o governador, candidato à reeleição, protagonizou a chamada ?aliança branca?, em que declarava apoio a Ronaldo Lessa, sem oficializar a aliança. A verticalização foi bastante criticada na época, até por juristas, porque estaria favorecendo o então candidato a presidente José Serra, hoje prefeito de São Paulo, apoiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ?O PSDB está um pouco dividido hoje sobre a verticalização?, disse Téo, que agora é contra. ?Se for mantida [a verticalização], vai acontecer o que existiu em 2002, uma aliança branca?, classificou o senador, lembrando que a medida não era o principal ponto da reforma política, mas a fidelidade partidária. ?Para mim, essa reforma política deve passar nesse primeiro semestre. Ela tem de passar até outubro?, explicou, lembrando do prazo eleitoral do TSE. Em março de 2002, PT, PCdoB, PL, PSB, PPS e PFL recorreram da decisão do TSE, mas a verticalização foi mantida, para o bem ou não do apoio político de FHC a José Serra. Mas quem ganhou nas urnas foi o operário Luiz Inácio Lula da Silva e atualmente, apesar de o presidente não se manifestar sobre a medida, o PT tenta se coligar com o PMDB, com a proposta, defendida pelo presidente nacional do partido, José Ge-noíno, de incluir na coalizão o PP, chamado de ?partido de centro? por Genoíno. No arco de alianças, o PT quer costuras políticas que misturem de esquerdistas a centristas, excluindo PSDB e PFL. Resta saber se na hora do bolo eleitoral, a ?verticalização?, que pode ser a cobertura açucarada e bastante agradável ao presidente, candidato à reeleição, será excluída da receita política do Palácio do Planalto.