Política
Acaba prazo do MST para sa�da de Gino
| ODILON RIOS Repórter O prazo para que o superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas saia do órgão acaba na próxima sexta-feira, segundo a coordenadora estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Vânia Silva. Segundo ela, o movimento tem uma fita gravada, supostamente com a fala do presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, em que ele prometeu, no dia 31 de março, aos movimentos, que em 20 dias seria feito um processo de transição de superintendente em Alagoas. ?Inclusive, nós registramos o momento em que o presidente nos disse que tinha conversado com o Gino e ele se recusava a sair e a retirar a diretoria do Incra alagoano, mas disse que a situação seria resolvida?, adiantou Vânia. Hackbart esteve em Maceió para resolver o impasse entre o MST e o Incra alagoano. A dirigente do MST preferiu não adiantar ações do MST, caso a saída de Gino César não seja cumprida pelo Incra nacional, mas adianta que o assunto será discutido no próximo dia 27, quando será realizada a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, com previsão de reunir 18 mil pessoas em Brasília. ?Vamos colocar na pauta nacional a saída de Gino César do Incra?, avaliou. A marcha tem por objetivo cobrar agilidade na reforma agrária. Segundo o dirigente do MST Nacional, João Pedro Stédile, faltam vinte meses de mandato e 370 mil famílias a serem assentadas: ?O governo não está aplicando o Plano Nacional de Reforma Agrária, e ainda se dá ao disparate de anunciar cortes de dois bilhões de reais no orçamento da reforma agrária, para pagar em dia, os juros da dívida interna aos banqueiros?, afirmou, em informação publicada no site do MST. Os trabalhadores rurais sem-terra também vão protestar contra a criação da Associação de Livre Comércio das Américas (Alca). Mais firme ainda Ouvido ontem pela Gazeta, o superintendente do Incra alagoano, Gino César, negou a existência de uma conversa entre ele e Hackbart sobre sua situação no Instituto. ?Todo mundo sabe do posicionamento do governo federal sobre isso. Eu fico, e com o apoio do Incra nacional?, afirmou. Gino César disse que voltou ontem de Brasília trazendo recursos para os movimentos que lutam pela terra em Alagoas: R$ 100 mil e R$ 12 milhões em Títulos da Dívida Agrária (TDAs). ?Já foram enviados ao MST R$ 75 mil e as 5.500 cestas básicas estão chegando?, informou César. A Gazeta entrou em contato com a assessoria do Incra nacional, que reafirmou que ?Gino não sai do cargo?. A assessoria não quis comentar as supostas declarações dadas pelo presidente nacional do Incra e que teriam sido gravadas pelo MST. Ocupação O MST ocupou a Praça Sinimbu e sede do Incra, situado no mesmo lugar, durante 33 dias. Os sem-terra chegaram a Maceió no dia 28 de fevereiro para exigirem, entre outras coisas, a destituição da diretoria do Incra, e retornaram no dia 1º de abril, após fazerem um acordo com o presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, que veio à capital alagoana para resolver o impasse. Hackbart anunciou que o Incra nacional atenderia às 17 reivindicações técnicas e econômicas do movimento e garantiu, segundo o MST, que o Incra passaria por um processo de intervenção federal, com a vinda de dois técnicos de Brasília. Os técnicos chegaram, se reuniram com MST, mas não oficializaram a saída de Gino César até o momento.