Política
Somurb ignora IMA e retoma trabalhos
| PETRÔNIO VIANA Repórter A Superintendência Municipal de Obras e Urbanização de Maceió (Somurb) convocou a imprensa, na manhã de ontem, para prestar esclarecimentos sobre os serviços realizados na margem do Rio Jacarecica, no litoral norte de Maceió. As obras tiveram início na terça-feira passada e, na última quinta-feira foram suspensas por técnicos do Instituto do Meio Ambiente do Estado (IMA), sob a alegação de que os serviços não haviam sido autorizados pelo órgão. Estiveram presentes os secretários municipais do Meio Ambiente, Ricardo Ramalho, de Infra-Estrutura, a vice-prefeita Lourdinha Lyra, e de Comunicações, Marcelo Firmino, o superintendente da Somurb, Mosart Amaral, além de moradores da área atingida pelas obras. Segundo a vice-prefeita, os serviços estavam sendo realizados em caráter emergencial, com o objetivo de reduzir os danos causados pelo assoreamento do rio e pelas inundações freqüentes no local. ?No último período de chuva, a população teve que enfrentar uma enchente de 1,60 metro. Os moradores de Jacarecica não querem a interrupção do serviço?, justificou Lourdinha Lyra. Os moradores da área ameaçam fechar a ponte que cruza o rio, em sinal de protesto pela suspensão das obras. Para eles, a preservação do manguezal é importante, mas a qualidade de vida está em primeiro lugar. A vice-prefeita considera que a realização das obras é indispensável. Ela apresentou fotografias do local para demonstrar a gravidade da situação. ?A distância entre a ponte e o rio chegava a quatro metros. Hoje, é de 80 centímetros. A nossa preocupação maior é com a preservação da vida humana?, explicou. Exigência No final da reunião, o superintendente Mosart Amaral recebeu uma notificação do IMA. O órgão exige a suspensão do desmatamento do local, o replantio da vegetação que já foi retirada e a remoção do material arenoso e argiloso depositado na margem do rio. Mosart Amaral explicou que a vegetação foi arrancada para possibilitar o acesso das máquinas às margens do rio. ?O local é de difícil acesso para os tratores e nós precisávamos chegar na parte de baixo da ponte. O entulho, ao contrário do que se pensa, não foi colocado no local, e sim retirado do fundo do rio?, rebateu o superintendente. De acordo com a vice-prefeita Lourdinha Lyra, a sujeira e o entulho estavam diminuindo a vazão do rio e, conseqüentemente, provocando as inundações. ?Isso não é crime ambiental. É um serviço pequeno e foi solicitado pela população local?, disse a vice-prefeita. Ela considera, ainda, que a execução das obras a partir de 500 metros acima do local onde estão sendo realizadas, conforme orientação dos técnicos do IMA, tornaria o serviço muito demorado, aumentando o risco de novas inundações. O IMA avisou que qualquer intervenção no local deve ser comunicada previamente ao órgão para avaliação. Mas segundo a Somurb, as obras terão continuidade na próxima segunda-feira. ?As obras vão continuar. Vamos retirar todo o lixo daquela área. É uma demanda da comunidade?, desafiou a vice-prefeita. Vale ressaltar que grande parte do lixo é depositada no local pelos próprios moradores.